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Abordagem dos Aspectos Psicológicos nos pacientes submetidos ao Transplante Cardíaco
*Pedro Marco Karan Barbosa
**Marilda Marques Luciano Marvulo
***Alexandra Naomi Dalmazzo Nowaki
***Danize Gasparoto Castilho
O propósito deste trabalho é identificar na literatura os aspectos psicológicos apresentados pelos pacientes antes e após a realização do transplante cardíaco. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica. Os artigos foram localizados através da base de consulta LILACS, SCIELO e a base de dados local da biblioteca da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA),através das palavras chaves: qualidade de vida, transplante cardíaco, alterações emocionais. Os resultados demonstraram que estes pacientes apresentam: medo, ansiedade, angustia, preocupações com familiares, frustrações antes da cirurgia, e após o ato cirúrgico, angustia pelas novas adaptações na vida, felicidade, esperança de viver, entre outros. Concluímos pela importância da atuação de toda equipe, no sentido de dar suporte psicológico a esses pacientes para fortalecê-los emocionalmente e ajudá-los a superar positivamente esse período crítico em suas vidas e que o enfermeiro tem um papel fundamental durante todo o processo.
Unitermos: qualidade de vida, transplante cardíaco, alterações emocionais.
Boarding of the Psychological aspects in the patients submitted to the cardiac transplant
The intention of this work is to identify in literature the psychological aspects presented by the patients before and after the accomplishment of the cardiac transplant. This is a bibliographical research. The articles had been located through the base of consultation LILACS, SCIELO and the database local of the library of the College of Medicine of Marília (FAMEMA), through the keywords: quality of life, cardiac transplant, emotional alterations. The results had demonstrated that these patients present: fear, anxiety, distress, concerns with familiar, frustrations before the surgery, and after the surgical act, distress for the new adaptations in the life, happiness, hope of living, among others. We conclude for the importance of the performance of all team, in the direction to give psychological support to these patients to fortify them emotionally and to help them to surpass it positively this critical period in its lives and that the nurse all has a basic paper during the process.
Uniterms: quality of life, cardiac transplant, emotional alterations
Los aspectos psicológicos en los pacientes sometió al transplante cardiaco
La intención de este trabajo es identificar en literatura que los aspectos psicologicos presentaron por los pacientes antes y después la realización del trasplante cardiaco. Esto es una investigación bibliográfica. Los artículos habían sido situados a través de la base de las LILAS de la consulta, de SCIELO y del local de la base de datos de la biblioteca de la universidad de la medicina de Marília (FAMEMA), con las palabras llaves de: calidad de la vida, trasplante cardiaco, alteraciones emocionales. Los resultados habían demostrado que estos pacientes presentan: miedo, ansiedad, señal de socorro, preocupaciones con el familiar, frustraciones antes de la cirugía, y después del acto quirúrgico, señal de socorro para las nuevas adaptaciones en la vida, felicidad, esperanza de vivir, entre otros. Concluimos para la importancia del funcionamiento de todo el equipo, en la dirección para dar la ayuda psicologica a estos pacientes para fortificarlos emocionalmente y para ayudaros a sobrepasarla positivamente este período crítico en sus vidas y que la enfermera toda tiene un papel básico durante el proceso.
Unitermos: calidad de la vida, trasplante cardiaco, alteraciones emocionales
* Professor, Doutor, Chefe do Serviço de Enfermagem do Hospital das Clínicas de Marília
** Enfermeira do Centro de Educação Permanente e Pesquisa do Hospital das Clínicas de Marília
*** Enfermeiros Assistenciais
Introdução
Identificamos em nossa realidade que os pacientes admitidos com agravos cardíacos são considerados extremamente críticos, sob o ponto de vista patológico. Esses necessitam de atenção especial no que se refere ao tratamento e assistência, com vistas ao pronto atendimento de suas necessidades afetadas e atuação frente às complicações que, por ventura, possam ocorrer.
Para aqueles cujos agravos são considerados graves, o tratamento cirúrgico está indicado como forma de recuperação. Várias cirurgias podem ser executadas quando se trata da terapêutica cardíaca. O transplante cardíaco é uma delas e tem como finalidade, a recuperação e reabilitação das condições clínicas do paciente, já que o coração, no momento, apresenta-se insuficiente para manter suas funções. Este procedimento visa uma sobrevida maior além de lhes devolver sustentável parcela da qualidade de vida (1).
O número de transplantes realizados em países desenvolvidos como nos Estados Unidos, totalizam cerca de 2500 procedimentos anuais com alta taxa de sobrevivência; em contrapartida , no Brasil os números ainda são pequenos, uma média de 100 a 200 cirurgias anuais mas estão crescendo(3) .
Quanto às indicações e contra indicações do transplante, poucos autores fazem menção a isso. De acordo com a New York Heart Association (NYHA) esse procedimento deve ser considerado como uma alternativa de tratamento para pacientes com Insuficiência Cardíaca (IC) refratária de classes funcionais III ou IV, ou seja , que possuam sintomas incapacitantes, que não respondam mais ao tratamento clínico, ou impossibilitados a outra forma de correção cirúrgica. Incluem que possuam sintomas incapacitantes, que não respondam mais ao tratamento clínico, ou impossibilitados a outra forma de correção cirúrgica. Ainda, incluem na indicação indivíduos com expectativa de vida inferior a um ano(2).
Outros autores(4), fazem referência à Internacional Society for Heart Transplantation (ISHT) que reporta as doenças cardíacas mais comuns para indicação do TC: cardiomiopatias, doença arterial coronariana, doença cardíaca congênita e rejeição do enxerto. Dentre elas, emergem as condições em estágio terminal como falência cardíaca, isquemia refratária e arritmias, mesmo em continuação de terapêutica clínica e cirúrgica.
Considerando as situações descritas, propusemo-nos a realizar este estudo de revisão da literatura procurando identificar os aspectos psicológicos apresentados pelos pacientes antes e após a realização do transplante cardíaco.
Objetivamos com isso contribuir para uma assistência sistematizada a esses pacientes através do resgate dos conhecimentos técnico-científico produzidos.
Metodologia
Identificação das referências bibliográficas
Este estudo foi desenvolvido adotando a pesquisa bibliográfica, envolvendo as atividades de identificação, compilação e fichamento dos artigos localizados através da base de consulta LILACS, SCIELO e a base de dados local da biblioteca da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), visto que o tema proposto para o desenvolvimento do trabalho apresenta escassez de literatura.
Para a identificação dos artigos foram utilizadas as palavras - chaves: “Qualidade Vida Transplante Cardíaco”, restringindo-se ao idioma português. Foram encontrados no total 17 citações de artigos e destas foi excluído 1, o qual se referia a transplante em crianças.
As pesquisas não existem sem que haja busca de fontes referenciais para se iniciar a discussão de uma problemática, e neste caso as fontes foram de natureza secundária, o que caracteriza este trabalho como uma pesquisa bibliográfica(6).
Leitura do Material
De posse do material bibliográfico compilado, iniciamos a leitura exploratória com a finalidade de separar o que atendesse aos objetivos propostos, sem a preocupação com a sistematização das informações.
Procedemos a seguir, a uma leitura analítica dos textos selecionados, com o máximo de objetividade e imparcialidade, procurando absorver as intenções dos autores, sem procurar julgá-las, identificando as idéias chaves através de grifos e anotações nos parágrafos e organizando-as segundo uma ordem de importância com vistas a uma síntese posterior.
Vale considerar que após a organização dos conteúdos analisados, optamos em apresentar as abordagens mais comumente apontadas pelos autores envolvidos na revisão, a saber: indicações e contra-indicações do procedimento cirúrgico; aspectos psicológicos antes e após o transplante cardíaco. Na discussão abordamos a nossa compreensão do processo associado às referências que retratavam sobre qualidade de vida e complicações advindas após a terapêutica.
Resultados e Discussão
A inserção da abordagem psicológica ao paciente cardíaco inicia-se desde o momento em que seus problemas começam a dificultar suas atividades diárias sendo necessário então, um tratamento mais complexo, o qual acarretará modificações em sua vida de formas variadas. Manifestações psicológicas, são descritas conforme o transcorrer do processo de Transplante Cardíaco, ou seja, desde a inserção do paciente ao programa, até o acompanhamento em seu ambiente familiar.
Para ser submetido ao Programa de Transplante Cardíaco, o indivíduo deve ser avaliado de forma global, incluindo a identificação de sua história pregressa e atual referente às patologias psiquiátricas, consumo de substâncias tóxicas, perfil do doente e de suas relações interpessoais; além de conhecer qual o significado de estar debilitado e como este irá encarar o tratamento(7).
O apoio psicoterápico auxilia na desmistificação dos conceitos errados e simbolismos envolvidos com o órgão adoecido que levam o paciente a visualizar ameaça à sua vida e à integridade do corpo. Conviver com um coração doente é conviver com restrições, sintomas e plano de medicamentos, forçando-o a modificar hábitos e atitudes. Não devemos desvalorizar o sentimento de impotência frente ao seu risco de vida, e sim, alcançar junto a ele um equilíbrio entre sua debilidade e sua potencialidade 7.
Quanto às fases da doença que o paciente pode percorrer, a autora acima relata que, no início pode passar pela fase de negação de seu agravo; com o tempo, inicia o processo de aceitação, aprendendo a conviver com os sintomas e adquirir esperança para a cura, porém confronta-se com a vulnerabilidade da vida e incorpora as restrições à sua nova identidade 7.
De acordo com outros autores(2), quando submetidos ao programa de transplante, os pacientes estão envolvidos por um constante estresse emocional impossibilitados de realizar uma série de atividades, repletos de ansiedade e isolados socialmente, porém quando estão à espera de um doador, vislumbram esperança por uma melhor qualidade de vida(3).
Uma das autoras(7), valoriza a abertura de um espaço destinado ao paciente no qual ele possa sentir-se à vontade em expor angústias e idéias além de escutar palavras que promovam conforto, pois esperar o torna um rótulo de identificação e de limitação como indivíduo. Enfatiza ainda que, durante a assistência, o paciente passa por períodos variados desde o momento em que se depara com a incompreensão de seu estado e com o choque da confirmação de seu diagnóstico, vivenciando desamparo e angústia. Cada exame realizado recobre-se de ansiedade quanto à probabilidade de entrar na lista de espera, tornando isso algo perturbador.
A mesma autora acredita, também, que o psicólogo tem o papel de trabalhar as fraquezas e potencialidades do paciente frente à espera, organizar sua estrutura pessoal e familiar, visando restabelecer suas condições emocionais para enfrentamento do processo. A família, neste instante, aflora a super proteção e necessita ser trabalhada pelo apoio psicoterápico, pois o paciente deve sentir o mínimo de diferenciação quanto a sua individualidade dentro da dinâmica familiar.
O preparo para a cirurgia também é crucial devido ao excesso de exames pré-operatórios a que deve ser submetido, além de se encontrar num período de impossibilidade física e dependência, ressurgindo sentimentos de inferioridade e falta de autonomia(8). Desvendar a fantasia sobre os aspectos de recepção do novo coração é a abordagem o qual refere à importância de informar ao paciente os fatores que permeiam todo o período pós-transplante, trabalhando o fato de conscientizá-lo quanto às restrições, o cuidado, a manutenção e reeducação de atitudes, a terapia medicamentosa e os exames freqüentes que farão parte de seu cotidiano. A melhora da qualidade de vida associada ao convívio com a doença torna-se o êxito do apoio psicoterápico(7).
Compreendemos que o momento da cirurgia representa uma mescla de extrema felicidade e medo, pois a impossibilidade de acontecer o ato cirúrgico gera frustração. Imediatamente, a psicologia deve atuar proporcionando apoio e solucionando problemas advindos dos sentimentos do paciente e família. Após este acontecimento, o grupo permanece acreditando que todos os problemas foram solucionados, considera-se assim, um período muito conturbado.
Alguns pesquisadores(2) relatam que o pós-operatório imediato é revestido por um grande estresse emocional devido aos cuidados exigidos, a permanência em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde se sente isolado, frágil, inseguro e receoso quanto à morte pois está sendo privado de carinho e apoio emocional da família. Uma outra autora(7) ainda complementa que o indivíduo após este instante depara-se com a felicidade de estar vivo e ao mesmo tempo com a dor física; enfatiza que a assistência psicológica e a presença dos familiares se fazem necessário durante a hospitalização e alta, pois se trata de um período delicado onde o paciente apresenta-se com inúmeras adaptações.
No que se relaciona alta hospitalar, encontramos descrito que é um momento de alegria pela volta ao lar e pela retomada da rotina familiar, porém enfrenta sentimentos de medo quanto à perda do enxerto, sensação de desproteção e desamparo por encontrar-se fora do ambiente nosocomial. Demonstra também um grau de insegurança pela responsabilização no autocuidado, frente às limitações impostas pelo Programa de Transplante. Com o passar do tempo, as restrições diminuem e o paciente sente-se mais livre e confiante para usufruto de sua qualidade de vida culminando com um aumento da sua auto-estima e do resgate de sua sociabilidade(2).
A sensação de bem estar, após o desaparecimento da sintomatologia, é relatada por estudiosos, que fazem menção sobre a melhora do estado físico do paciente, que anteriormente apresentava sinais e sintomas que os impossibilitava de realizar suas ações rotineiras . Essa melhora proporciona um retorno gradativo às atividades físicas, sociais, profissionais e sexuais(3,9).
É reconhecida a importância da atividade sexual na vida das pessoas submetidas ao programa. Essa atividade encontra-se limitada anteriormente ao transplante, devido aos agravos que podiam ocorrer pelo déficit cardiocirculatório. Após o transplante, quando as condições são restabelecidas, essas pessoas necessitam de um acompanhamento psicológico a fim de minimizar seus anseios, inseguranças e medos.
Em uma outra abordagem, encontramos descrito que é necessário o apoio psicoterapêutico freqüente, visando à diminuição das ansiedades e inseguranças. Após o período de readequação às suas atividades essenciais, os pacientes podem apresentar instabilidade de humor e desgaste da vida conjugal devido à diminuição da libido ou até impotência sexual, prejudicando parcela da qualidade de vida dos mesmos. A atividade sexual constitui-se em um dos aspectos mais importantes relativos à realização pessoal e à auto-estima (3,8).
Outro aspecto psicológico ressaltado na literatura pesquisada é que, enquanto os pacientes não conseguem se reinserir no mercado de trabalho, alguns realizam serviços domésticos auxiliando o despertar do sentimento de auto-afirmação que de alguma forma os fazem sentir mais produtivos (3).
O anonimato do doador é considerado de extrema importância, pois devido ao caráter simbólico do órgão referente às vivências emocionais e subjetivas, torna-se necessário a preservação da identidade do doador, a qual não deve-se ser transplantada para o receptor (7).
Muitos indivíduos acreditam que o retorno à sua saúde só depende do transplante, porém isso varia de pessoa a pessoa e envolve percepções, sentimentos e necessidades de se ajustar às restrições impostas pelo procedimento. Assim, os autores pontuam o significado de qualidade de vida já que este faz parte da avaliação psicológica terapêutica(2,8,10).
Uns referem ser uma interação equilibrada e satisfatória do desempenho individual nos aspectos físicos, psíquico e social refletidos em sua existência atual (8). Outros entendem não se tratar apenas de sinônimo de expectativa de vida, pois muitas pessoas saudáveis podem não ter boa qualidade de vida, reforçando o conceito ampliado de saúde, o qual abrange bem estar físico, mental e social (2) .
O viver bem engloba além de saúde, a realização profissional, social e afetiva. Assim, o transplante cardíaco não restaura apenas a saúde física do indivíduo, mas também, tem a função de reinserí-lo ao contexto socioeconômico, através da conquista de melhorias para a sua qualidade de vida (10).
Na área da saúde, o conceito é divulgado desde 1947 quando “saúde passa a ser definida não só como ausência de doença, mas incorpora o bem estar físico, mental e social do indivíduo". Atualmente, tem como conceito "a percepção do indivíduo em sua posição na vida, do contexto, da cultura, da inserção no sistema de valores e faz relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (10).
Para outros estudiosos (1), a qualidade de vida reveste-se de uma questão subjetiva e individual sendo que o processo pode ser identificado por variáveis de sensação (biológico) e interpretação (psicossocial). Estes autores retomam o conceito dos filósofos, cientistas sociais e políticos, os quais discutem desde a antigüidade. Referem que para Aristóteles, o termo “é algo próximo à felicidade de sentir-se plenamente realizada”. Na filosofia chinesa a expressão está associada ao equilíbrio entre as forças positivas e negativas.
Através da análise dos artigos conseguimos compreender a extrema importância da abordagem dos aspectos psicológicos aos pacientes, pois estes podem influenciar significativamente na viabilidade ou não da realização do transplante cardíaco, como também na reabilitação e adaptação ao seu novo estilo de vida.
Pudemos identificar que em nenhum momento os autores descrevem divergências sobre os aspectos psicológicos, procuram sempre se complementar, buscando pontuar em seus relatos algumas características diferenciadas, bem como, atitudes que demonstram sentimentos de liberdade e mudança de estilo de vida. Neste sentido, os indivíduos submetidos ao programa apresentam inúmeras mudanças em seu contexto biopsicossocial.
Os autores trazem diversos sentimentos no decorrer do processo, tais como: impotência, estresse emocional, isolamento social, ansiedade, esperança por uma melhor qualidade de vida, incompreensão do seu estado de saúde, insegurança, depressão, inferioridade, falta de autonomia, baixa auto-estima, sentimentos de dependência, fragilidade, entre outros que permeiam o indivíduo no pré-operatório.
Anteriormente, passam por um período de negação do agravo e após se depararem com a realidade, demonstram insegurança, estresse, medo e inferioridade, além de sentirem-se incapazes de realizar qualquer atividade. A espera por um doador se torna a esperança de uma melhor qualidade de vida. Ao mesmo tempo os sentimentos de felicidade e de medo se confrontam pela possibilidade de ser suspensa a cirurgia. Após o procedimento, confrontam com a intensa felicidade por estar vivo, sensação de bem-estar, melhora do estado físico, melhora da auto-estima e resgate da sociabilidade, mas também com grande estresse emocional, fragilidade, desproteção, desamparo, insegurança pela responsabilidade do autocuidado, com dor física e receio quanto à morte.
Acreditamos que os pacientes durante o pós-operatório deparam com sentimentos de medo de perder o enxerto, insegurança por estar em uma unidade de terapia intensiva além de estar privado dos carinhos dos familiares e amigos.
Quanto à avaliação psicológica, acreditamos realmente na necessidade de uma abordagem global ao paciente que poderá ser inserida ao programa, história que contemple fatos pregressos sobre a patologia e agravos ocorridos, bem como, estilo de vida, alterações comportamentais, perfil pessoal-social e condição sócio-econômica, a fim de se identificar fatores positivos e negativos que possam influenciar e culminar com o êxito da continuidade da terapêutica.
Inferimos que a desmistificação dos conceitos e tabus relacionados à doença e ao procedimento de transplante pode contribuir, significativamente, para o processo de aceitação de sua nova condição, além de ser o passo inicial para a adesão ao restante do tratamento.
No papel de profissionais da saúde devemos valorizar intensamente todos os sentimentos apresentados pelos pacientes, principalmente os que sugerem uma condição de impotência e de ameaça frente à vida. Quando enfatizamos a importância desses sentimentos serem trabalhados, é no intuito de juntos conseguirmos buscar estratégias para o estabelecimento de equilíbrio e resgate da auto-estima.
A necessidade entendermos as fases da doença em que o paciente passa, revela-se de extrema necessidade pois, ao identificarmos isso, devemos agir em seus determinantes ajudando-o a reconhecer o período em que se encontra e passar por ele da forma mais segura possível. Quando passam pelo estresse emocional ou depressão devido à incerteza de inserção ao programa, acreditamos na força do apoio psicoterápico como elemento de “desabafo” e enfrentamento, porém existem outras possibilidades de terapias conjugadas visando o controle da ociosidade, dos sentimentos de nervosismo e tristeza.
Reforçar constantemente a seriedade de se adequar às novas restrições pode ser desgastante e frustrante para o paciente. Sabemos o valor que este fato significa em sua vida (deixar de realizar algo que estava acostumado), por isso devemos ajudá-lo a fazer opções seguras e conscientes frente a todas as informações que passamos. O fortalecimento de seu ego predispõe a elevação da auto-estima e esta pode auxiliar o paciente a obter mais energias para continuar o processo.
Priorizar um espaço de escuta, acolher e transmitir segurança podem ser ações efetivas para que o paciente acredite na equipe e que deposite também certa responsabilidade pelo seu cuidado, já que no momento ele se encontra impossibilitado de assumir integralmente esse papel devido às preocupações e indecisões que o sobrecarregam. Porém, será necessário sempre explicitarmos a responsabilidade diante de seu autocuidado e adesão.
Acreditamos que o papel do enfermeiro como elo de comunicação entre o paciente e família é muito efetivo, pois consegue auxiliar no reconhecimento de fraquezas, trabalhando-as com equilíbrio a fim de buscar saídas para a família estabelecer um ponto de apoio ao paciente. Os profissionais devem amparar a família e comunidade que o cercam. Demonstrar o papel do indivíduo dentro da dinâmica familiar pode ser um fato que ajude na adaptação do paciente com o mínimo de sofrimento possível para ambos.
Sabemos que todas as atitudes, ações e passos da terapêutica devem ser bem esclarecidos para o paciente, pois somente assim, poderemos minimizar ansiedades quanto ao processo, já que, quando a situação é conhecida previamente, podemos enfrentá-la com mais tranqüilidade e segurança.
O sentimento de felicidade deve ser valorizado para a somar aos esforços do paciente, conferindo-lhe novas energias para prosseguir. Durante a hospitalização e após o procedimento, ele encontra-se muito sensibilizado. Assim, é o momento dos profissionais e família administrarem todo seu amparo, segurança e principalmente carinho, enfatizando a importância de sua vida para o restante da família. Quanto o retorno ao lar, é necessário realizar todas as orientações e diluir todos os pensamentos negativos, estimulando a responsabilização por seu auto cuidado e explicitando os frutos adquiridos até o momento como conseqüência de um empenho árduo e constante. Devemos junto ao paciente, utilizar a criatividade para inserí-lo em atividades que o estimulem a continuar e que o faça sentir mais produtivo perante a família e sociedade.
Conclusão
Acreditamos que o tratamento cirúrgico não responde a todas as necessidades do paciente, e que a atuação da equipe interdisciplinar é extremamente necessária no acompanhamento antes, durante e após o evento.
Compreendemos que o papel do enfermeiro dentro dessa equipe deva ser de acolhedor, educador, comunicante e contactuante direto no acompanhamento do candidato, reconhecendo precocemente qualquer intercorrência emocional que possa vir a inviabilizar a realização do transplante. Além disso, devemos proporcionar sempre um ambiente em que o indivíduo sinta-se livre, porém responsável por seu autocuidado durante toda a sua vida.
Referências
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- Kadri, T; Marinelli, I; Franken, RA. et al. Terapia e evolução do candidato a receptor do transplante cardiaco. Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), São Paulo. 1995. p. 624-635.
- Lucchese, FA; Frota Filho, JD; Blacher, C. et al. Ventrilectomia parcial esquerda: ponte para transplante em pacientes com insuficiência cardíaca refratária e hipertensão pulmonar. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, São José do Rio Preto. 1997. p. 221-225.
- Lakatos, EM; Marconi, MA. Metodologia do Trabalho Científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto, relatório, publicações e trabalho científico. São Paulo )SP): Atlas. 1994
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- Fernandes, GA; Abreu, MAL; Morgana, J. et al. Transplante cardíaco e qualidade de vida. Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), São Paulo. 1997. p.39-41.
- Branco, JNR; Aguiar, LF; Paez, RP. et al. Opções cirúrgicas no tratamento da Insuficiência Cardíaca. Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), São Paulo. 2004. p.11-18.
- Amato, MS.; Amato Neto, V; Uip, DE. Avaliação da qualidade de vida de pacientes com doença de chagas submetidos a transplante de coração. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Rio de Janeiro. 1997. p.159-160.
Abordagem da atividade física nos pacientes submetidos ao Transplante Cardíaco
Prof. Dr. Pedro Marco Karan Barbosa*
Marilda Marques Luciano Marvulo**
Alexandra Naomi Dalmazzo Nowaki***
Danize Gasparoto Castilho***
O objetivo deste trabalho é identificar na literatura os aspectos da atividade física apresentados pelos pacientes antes e após a realização do transplante cardíaco. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica. Os artigos foram localizados através da base de consulta LILACS, SCIELO e a base de dados local da biblioteca da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) utilizando as palavras - chaves: Qualidade Vida, Transplante Cardíaco e atividade física. Os resultados demonstraram a importância da atividade física, tanto anteriormente ao transplante, pois ajuda a manter o paciente em condições clínicas para a cirurgia e previne complicações no pós-operatório. São, também, fundamentais no pós-transplante, para o retorno a uma vida ativa e produtiva, no entanto, toda essa prática deve ser criteriosa, compatível com suas condições cardio-circulatórias.
Unitermos: qualidade de vida, transplante cardíaco e atividade física.
Boarding of the physical activity in teh patients submitted to the cardiac transplant
The objective of this work is to identify in literature the aspects of the physical activity presented by the patients before and after the accomplishment of the cardiac transplant. This is a bibliographical research. The articles had been located through the base of consultation LILACS, SCIELO and the database local of the library of the College of Medicine of Marília (FAMEMA) using the words - keys: Quality Life, Cardiac Transplant and physical activity. The results had demonstrated the importance of the physical activity, in such a way previously to the transplant; therefore it helps to keep the patient in clinical conditions for the surgery and prevents complications in the postoperative one. They are, also, basic in the one after transplant, for the return to an active life and productive; however, all this practical must be discerning, compatible with its cardio circulatory conditions.
Uniterms: quality of life, cardiac transplant and physical activity.
La actividad física en los pacientes sometió al transplante cardiaco
El objetivo de este trabajo es identificar en literatura que los aspectos de la actividad física presentaron por los pacientes antes y después la realización del trasplante cardiaco. Esto es una investigación bibliográfica. Los artículos habían sido situados a través de la base de las LILAS de la consulta, de SCIELO y del local de la base de datos de la biblioteca de la universidad de la medicina de Marília (FAMEMA) que usaba las palabras - llaves: Vida de la calidad, trasplante cardiaco y actividad física. Los resultados habían demostrado la importancia de la actividad física, de tal manera previamente al trasplante; por lo tanto ayuda a mantener al paciente las condiciones clínicas para la cirugía y previene complicaciones en la postoperatoria. Son, también, básicas en el que está después de trasplante, para la vuelta a una vida activa y productivo, sin embargo, todo este práctico debe ser el discernir, compatible con sus condiciones circulatorias cardio.
Unitermos: Vida de la calidad, trasplante cardiaco y actividad física.
* Professor, Doutor, Chefe do Serviço de Enfermagem do Hospital das Clínicas de Marília
** Enfermeira do Centro de Educação Permanente e Pesquisa do Hospital das Clínicas de Marília
*** Enfermeiros Assistenciais
Introdução
Das nossas experiências identificamos que os pacientes internados com doenças cardíacas são considerados pacientes críticos, necessitando de atenção em seu tratamento e nas condições assistenciais, com vistas a atender prontamente as complicações que por ventura possam ocorrer.
O tratamento cirúrgico está incluído como forma de recuperação a estes indivíduos, quando ocorrem alguns agravos. Várias cirurgias podem ser executadas quando se trata da terapêutica cardíaca tais como troca de válvulas, ponte de safena, correção de doenças congênitas, dentre outras, como o transplante cardíaco. Este consiste numa cirurgia que tem como finalidade a recuperação e reabilitação das condições clínicas do paciente, já que o coração no momento apresenta-se insuficiente para manter suas funções. Segundo alguns autores, este procedimento visa uma sobrevida maior além de lhes devolverem sustentável parcela da qualidade de vida (1).
De acordo com o histórico da realização do Transplante Cardíaco (TC), o Brasil ocupa o 2º lugar do mundo em número de transplantes de órgãos; em 1996 foram realizados 3979 transplantes de diversos órgãos e destes, 65 foram cardíacos. Em 2001, esse número aumentou para 101 procedimentos, com um gasto financeiro total de transplantes diversos de 2,3 milhões de reais e 95 milhões em medicamentos; já em 2002 o número se eleva ainda mais com 126 cirurgias de transplante de origem cardíaca, porém não foram totalizados os gastos globais. Se compararmos estes dados de 1999 a 2002, podemos observar um crescimento médio de 125% (2).
O número de transplantes realizados em países desenvolvidos como nos Estados Unidos, totalizam cerca de 2500 procedimentos anuais com alta taxa de sobrevivência; quando comparado ao Brasil, onde os números ainda são pequenos, mas estão crescendo, demonstram uma média de 100 a 200 cirurgias anuais (3).
Quanto às indicações e contra indicações do procedimento, poucos autores fazem relatos a este tópico. O procedimento deve ser considerado como uma alternativa de tratamento para pacientes com Insuficiência Cardíaca (IC) refratária de classes funcionais III ou IV de acordo com a New York Heart Association (NYHA), ou seja, que possuam sintomas incapacitantes, que não respondam mais ao tratamento clínico, ou impossibilitados a outra forma de correção cirúrgica. Ainda, incluem na indicação indivíduos com expectativa de vida inferior a um ano (2).
Outros autores (4), referenciam a Internacional Society for Heart Transplantation (ISHT) a qual reporta as doenças cardíacas mais comuns para indicação do TC: cardiomiopatias, doença arterial coronariana, doença cardíaca congênita e rejeição do enxerto. Dentre elas, emergem as condições em estágio terminal como falência cardíaca, isquemia refratária e arritmias, mesmo em continuação de terapêutica clínica e cirúrgica.
Em um dos trabalhos estudados (5) significativo número de pacientes estão impossibilitados de se inserir no programa por apresentar hipertensão e resistência pulmonar elevada. Também faz referência à sobrevida do paciente na lista de espera do Programa de Transplante, o qual demonstra um dado muito relevante: 46% dos indivíduos possuem sobrevida de somente 1 ano devido à deterioração hemodinâmica e excessivo número de mortes antes de ocorrer à cirurgia.
Sabemos que a prática do exercício se faz necessário para a manutenção das condições de bem estar físico, mental e social na vida de qualquer indivíduo. No entanto, a realização da atividade física no paciente cardiopata deve ser criteriosa devido às limitações biológicas do quadro em que se encontra. Muitos desconhecem o real benefício desta prática e outros, mesmo tendo sido informados, não o fazem por falta de estímulo, por desacreditarem nos resultados ou ainda por encontrarem-se impossibilitados.
Acreditamos que no paciente submetido ao Programa de Transplante Cardíaco, isto fica ainda mais difícil de ser realizado devido à incompatibilidade do exercício físico às condições cardiocirculatórias. Ressalta-se também o uso diário de inúmeras medicações referentes ao protocolo do tratamento destas pessoas, os quais possuem efeitos colaterais e adversos indesejáveis exacerbando a inatividade.
Neste sentido, nos propusemos a realizar este estudo com objetivo realizar uma revisão de literatura procurando identificar a influencia da atividade física nos pacientes antes e após a realização do transplante cardíaco.
Metodologia
Identificação das referências bibliográficas
Este estudo foi desenvolvido adotando a pesquisa bibliográfica, envolvendo as atividades de identificação, compilação e fichamento dos artigos localizados através da base de consulta LILACS, SCIELO e a base de dados local da biblioteca da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), visto que o tema proposto para o desenvolvimento do trabalho apresenta escassez de literatura.
Para a identificação dos artigos foram utilizadas as palavras - chaves: “Qualidade Vida Transplante Cardíaco e atividade física”, restringindo-se ao idioma português. Foram encontrados no total 15 citações de artigos, sendo utilizado para o trabalho 12.
Uma pesquisa consiste na busca de respostas a questões levantadas por um procedimento reflexivo sistemático, que requer um tratamento científico. Constitui o caminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. As pesquisas não existem sem que haja busca de fontes referenciais para se iniciar a discussão de uma problemática, e neste caso as fontes foram de natureza secundária, o que caracteriza este trabalho como uma pesquisa bibliográfica (6).
Leitura do Material
De posse do material bibliográfico compilado, iniciamos a leitura exploratória com a finalidade de separar o que atendesse aos objetivos propostos, sem a preocupação com a sistematização das informações.
Procedemos a seguir, a uma leitura analítica dos textos selecionados, com o máximo de objetividade e imparcialidade, procurando absorver as intenções dos autores, sem procurar julgá-las, identificando as idéias chaves através de grifos e anotações nos parágrafos e organizando-as segundo uma ordem de importância com vistas a uma síntese posterior.
Vale considerar que após a organização dos conteúdos analisados, procuramos descrever as abordagens mais comumente apresentadas pelos autores envolvidos na revisão relacionados à atividade física antes e após o transplante; e na discussão abordamos as nossas compreensões no percorrer do processo associado às referências que retratavam sobre qualidade de vida e complicações advindas após a terapêutica.
Prática do Exercício Físico no paciente submetido ao Transplante Cardíaco.
Apesar dos números de cirurgias de transplante cardíaco serem limitados, apresentam-se no momento, crescentes. Por isso, alguns autores(3) submetem a valorização do exercício físico como uma necessidade de introduzir estes pacientes em programas de reabilitação multidisciplinar devido à ocorrência de fatores que dificultam esta prática como: o coração desenervado transplantado ao receptor, descontinuidade do pericárdio, grande probabilidade de rejeição e a susceptibilidade às infecções mesmo com a terapia imunossupressora, além de outras complicações advindas do transplante.
O autor refere que a atividade física anterior ao transplante pode contribuir para a redução dos sintomas, manutenção das condições clínicas para a realização do procedimento ou até para dispensar o receptor da fila de espera devido à convalescença de seu estado de saúde e de sua qualidade de vida.
Após o transplante o indivíduo demonstra certa intolerância ao exercício seja devido ao período pré-transplante, no qual anteriormente o coração apresentava um trabalho ineficaz, ou agora, pelo procedimento cirúrgico, tempo prolongado de hospitalização e a utilização de imunossupressores. Estes medicamentos possuem a função de diminuir episódios de rejeição e de minimizar os sintomas que reduzem o desempenho cardiocirculatório, os quais também limitam a capacidade física(7).
Todos estes fatores implicam em alterações hemodinâmicas, neurohormonais, vasculares, musculoesqueléticas e pulmonares que devem ser restabelecidas novamente, não deixando de considerar que as respostas ventilatórias e metabólicas estão alteradas após o transplante cardíaco(3).
A atividade física precoce é relatada por alguns pesquisadores(7) como terapêutica na reabilitação do transplantado, e tem como objetivo melhorar sua capacidade física e prevenir algumas complicações freqüentes como: hipertensão arterial, obesidade, alteração corporal, redução da libido, osteoporose, ansiedade, depressão, euforia. Assim, contribui para que o indivíduo retorne às suas atividades após longo período de inatividade decorrente do pré e pós-transplante. Estas pessoas convivem com a condição de se apresentarem em falta de condicionamento físico, atrofia, fraqueza muscular e ainda em reduzida capacidade aeróbica.
Quanto ao fato de prevenir potenciais complicações, compreendemos primeiramente a necessidade de delimitar os ganhos e benefícios adquiridos após a cirurgia de transplante, porém temos que identificar e expor os inúmeros problemas, além de reconhecer os limites e lacunas que permeiam todo o processo.
Os autores trazem a rejeição do órgão, como um fato muito freqüente e desfavorável à continuação do tratamento já que todo o processo fora perdido. Eles sintetizam a terapia imunossupressora como fator limitante à capacidade funcional, tecendo considerações no sentido de que o esquema pode causar a desenervação do órgão, a descontinuidade do pericárdio, episódios de rejeição aguda/crônica e suscetibilidade a infecções, hipertensão, neoplasias e aterosclerose(3).
Os mesmos autores enumeram os fatores que reduzem a capacidade funcional após transplante como: a desenervação do coração; tempo de isquemia para transferência, diferença de superfície corpórea doador/receptor e maior resistência vascular pulmonar do receptor. Branco et al. (2004) relatam os mesmos fatores que interferem nas condições hemodinâmicas desfavorecendo a recuperação no pós-operatório(3).
Complementam ainda que a presença de desenervação culmina com taquicardia de repouso e incompetência cronotrópica por até 10 anos após o transplante. Advertem a elevação das pressões intracardíacas em repouso e em atividade, além do descontrole do sistema nervoso autônomo o qual intervêm no resultado do débito cardíaco e pode causar discreta depressão da função cardíaca em repouso e em atividade(3).
Estes autores demonstram o aumento das pressões de enchimento ventricular associado à disfunção diastólica e à restrição do volume sistólico. Estas disfunções podem ser resultantes a multifatores como aos episódios de rejeição, hipertensão arterial, isquemia decorrente de vasculopatia do doador, além de incompetência cronotrópica que combinados limitam a resposta ao débito cardíaco em exercício(3).
Deve se considerar também as alterações hemodinâmicas, nutricionais e metabólicas ocasionadas pelo uso prolongado de diuréticos, os quais fazendo menção à dificuldade de compensação destes padrões devido à necessidade de continuar com esta terapêutica. Pontuam como disfunção hemodinâmica de maior importância, a elevação da freqüência cardíaca basal próxima à freqüência intrínseca do nó sinoatrial; e que esta regulação se faz por via humoral sensível ao nível de catecolaminas circundantes(3,8).
Outro agravo relatado é a hipertensão arterial (HA) observada em grande número de pacientes. Os autores mencionam que este fato pode estar associado ao uso da ciclosporina. Completam o estudo relatando que a HA induzida pelo medicamento culmina com a redução da complacência arterial devido ao declíneo da vasodilatação periférica e dos mecanismos vasculares, aumentando o tônus da musculatura lisa arterial e a rigidez dos vasos(7,8,9).
Referentes ao consumo de O2, os autores são unânimes quanto à redução deste padrão nos pacientes que se submeteram ao procedimento. Este fato pode estar relacionado à técnica cirúrgica, às disfunções sistólica e diastólica, à atrofia muscular e às anormalidades metabólicas da insuficiência cardíaca que podem persistir após o transplante. Contudo a atividade física freqüente pode contribuir para a melhor captação e consumo de O2, favorecendo as trocas entre a circulação sangüínea e os tecidos auxiliando na regulação destes padrões que se apresentam alterados(7-10).
Os pacientes submetidos a programas de reabilitação apresentam capacidade aeróbia entre 20 e 50%, através de maior extração de O2, mudanças hemodinâmicas e neurormonais, aprimorando o funcionamento do metabolismo periférico além de auxiliar na eficiência respiratória. O consumo de O2 ao exercício é muito maior compensando os padrões de redução do débito cardíaco(3,7).
Este acontecimento eleva a atividade cardíaca, consome mais O2 culminando na realização de metabolismo anaeróbio. Ressalta que a capacidade aeróbia está reduzida secundariamente, em resposta inadequada ao índice cardíaco, devido à incompetência cronotrópica, disfunção diastólica e anormalidade no transporte de O2 (oferta/consumo) refletindo na capacidade ao exercício(7).
O débito cardíaco ao repouso e ao inicio do exercício em coração que fora desenervado é predominantemente mediado pelo aumento da pré-carga. Porém durante o exercício progressivo há um aumento inadequado da freqüência cardíaca e do débito cardíaco, os quais não são suficientes no exercício máximo. Em relação à força de ejeção do ventrículo esquerdo (VE), os autores concordam que existe um aumento deste fator durante a prática do exercício na mesma proporção que em um paciente submetido ao transplante(7,10,11,12).
Os mecanismos de restabelecimento da capacidade funcional no decorrer do primeiro ano são aprimorados mediante a mobilização precoce e a atividade física progressiva. Nos pacientes mais limitados, programas como exercícios passivos, ativos ou caminhadas de curtos períodos, porém freqüentes já auxiliam no condicionamento dos sistemas orgânicos visando melhor recuperação dos transplantados hospitalizados(3).
Os autores referem que esta modalidade de exercício foi significativa para a redução da pressão arterial média e da sensação de esforço insustentável; do volume de O2 e da freqüência cardíaca aumentarem a níveis adequados. Durante níveis submáximos estes caracteres obtiveram redução em seus padrões afirmando os malefícios do exercício intenso(8).
Complementa o fato da intensidade também diminuir o benefício de defesa imunológica por estimularem fatores imunossupressores como glicocorticóides e opióides, porém os exercícios resistidos aumentam a massa muscular e a densidade óssea, sendo fundamentais já que é comum ocorrer a perda desses componentes devido a insuficiência cardíaca e medicamentos pós-transplante(7,8).
Alguns pesquisadores enfocam que a reabilitação física deve estar integrada como parte do tratamento terapêutico, pois os problemas clínicos podem advir mais facilmente pelos longos períodos de repouso, restrição da mobilidade ao leito e atrofia muscular causada pela terapia imunossupressora. Ainda referem que os pacientes encontram desmotivados e descondicionados, enfatizando a prática de exercício físico como benefícios nas modificações hemodinâmicas e metabólicas favoráveis à sua qualidade de vida(3).
A atividade moderada é também eficaz para melhorar os padrões imunológicos e resistência à infecção através do mecanismo de liberação de fatores imunoestimuladores como hormônios de crescimento, prolactina e citocinas. Isto se faz extremamente necessário já que o transplantado acabara de passar por um processo cirúrgico "agressivo" e ainda mantém-se com medicamentos imunossupressores para prevenir episódios de rejeição. Estes fatos dificultam a integridade dos padrões de defesa do organismo e o exercício físico apresenta-se como um fator que auxilia na consolidação e fortalecimento deste sistema(7)
Os autores demonstram que não há estatística que comprove que o exercício previna rejeição do transplante, infecções ou longevidade em sua sobrevida, referindo ainda que os pacientes com episódios de rejeição estão contra-indicados à prática de exercício, pois há redução do desempenho cardiocirculatório e estes se encontram inaptos devido aos períodos de repouso e inatividade. Guimarães et al., 2004, também enfatizam a ausência de achados na literatura sobre algum efeito benéfico da atividade física na prevenção da doença arterial coronariana, ou nomeada arteriosclerose(7).
Em outro estudo os indivíduos em usufruto de betabloqueadores também estão comprometidos quanto à prática de exercício devido à droga reduzir substancialmente o índice cardíaco e os níveis de noradrenalina estarem aumentados necessitando assim, de uma atividade ventricular adequada mesmo porque a pressão arterial média também está elevada(3).
Estes autores ressaltam a importância do apoio familiar no plano terapêutico já que são o elo de informação e educação sobre os fatores de risco e práticas de exercícios de forma monitorizada, contribuindo para o êxito à adesão ao tratamento. Resumem que a recuperação da saúde física não está associada somente à resolução de problemas de ordem social, mas quando aproximados a fatores saudáveis tentam desenvolver algumas formas de atividades laborativas e exercícios moderados mesmo esbarrando em suas limitações(3).
Ainda enfatizam que a atividade regular e precoce tem papel fundamental no incremento da capacidade funcional e esta repercute no incentivo à realização da maioria das atividades diárias, profissionais, recreativas além de incorporar a prática da atividade física em seu cotidiano. Assim, os pacientes passam a valorizar mais o aspecto "saúde" adotando um estilo de vida mais saudável, o qual contemple exercícios e hábitos alimentares adequados para garantir o êxito do transplante.
Através da análise dos artigos compreendemos que a prática do exercício se faz necessária para a manutenção das condições cardiocirculatórias. Porém, para os pacientes cardiopatas a realização da atividade física deve ser criteriosa devido às limitações biológicas do quadro em que se encontra.
Diante da avaliação dos artigos selecionados pudemos observar que os autores trazem muitas informações importantes quanto aos reais benefícios da prática de exercício físico para o paciente que poderá ser submetido ao Transplante Cardíaco. Os autores não apresentam divergências, porém enfatizam temáticas diferentes sobre o exercício, as quais acabam se complementando e contribuem assim para uma discussão calorosa.
Interessante quando alguns autores abordam a necessidade do exercício físico antes da realização do procedimento, pois auxilia na manutenção das condições clínicas e na minimização de sinais e sintomas característicos, culminando assim para uma melhor recuperação no período pós-cirúrgico além de prevenir muitas complicações.
Enfatizam também que se o indivíduo de propuser a realizar a prática assiduamente com acompanhamento médico, pode ser dispensado do trauma de realizar a cirurgia, pois o exercício traz inúmeras melhorias para que as condições biológicas e emocionais do paciente..
Fisiologicamente são abordadas questões cardiocirculatórias e respiratórias positivas à realização freqüente do exercício moderado, onde após a leitura dos artigos compreendemos que a melhor captação e consumo de O2 favorece a oxigenação dos tecidos e aumenta o limiar aeróbio das células, além de compensar a redução do débito cardíaco que ocorre após a cirurgia. A atividade moderada ainda é eficaz para as defesas do organismo, pois libera fatores que estimulam a imunidade e o protegem contra infecções.
Já no exercício progressivo estes benefícios não são observados, pois elevando a atividade cardíaca consome mais oxigênio e assim inicia a realização de metabolismo anaeróbio, o que se torna extremamente prejudicial às células do organismo, principalmente por estimularem fatores imunossupressores.
Os indivíduos que não conseguem realizar nenhuma modalidade de exercício físico, devido ao tempo prolongado de inatividade pela doença e pela hospitalização, necessitam ser introduzidos numa terapêutica de reabilitação com atividades passivas e freqüentes, pois reduzem a pressão arterial média e a sensação de esforço, além de aumentar o volume de O2 e a freqüência cardíaca.
Inferimos que estas atividades, além de restabelecerem as condições físicas e biológicas, ainda contribuem para a satisfação dos pacientes ao se sentirem mais motivados e menos inabilitados para a realização de tarefas corriqueiras. O apoio familiar neste instante se faz muito necessário devido ao fato de ser indivíduos que permanecem tempo integral com o paciente auxiliando na motivação, valorização, auto-estima e assim, adesão e êxito da terapêutica proposta. Acreditamos que a família junto ao paciente possa incorporar o exercício físico às suas práticas diárias adotando melhores condições para seu estilo de vida.
Para uma melhor visualização das alterações cardiológicas, respiratórias e metabólicas apresentadas pelos pacientes em repouso e após o exercício no pós-transplante cardíaco, optamos em apresentar um quadro que pode retratar estas alterações.
Quadro 1-Respostas cardiorrespiratórias e metabólicas em repouso e ao exercício
dinâmico após transplante cardíaco
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Freqüência cardíaca (Fc) em repouso elevada
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Retardo na elevação da Fc no início do exercício
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Baixa Fc no pico do execício
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Retardo da recuperação da Fc basal após exercício
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Fração de ejeção do ventrículo esquerdo (VE) diminuída em repouso
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Fração de ejeção do VE e do ventrículo direito (VD) diminuída em exercício
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Débito cardíaco diminuído em exercício
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Diferença arteriovenosa de oxigênio aumentada em exercício
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Consumo máximo de oxigênio (VO2 max) diminuído
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Cinética do VO2 diminuída durante o exercício
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Volume sistólico diminuído no pico do exercício
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Limiar anaeróbio reduzido
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Elevação do lactato sanguíneo no repouso e no pico do exercício
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Equivalentes ventilatórios de O2 e CO2 elevados ao exercício
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Pressão diastólica final do VE elevada no exercício
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Elevação no exercício das pressões de átrio direito, artéria e capilar pulmonar
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Elevação dos índices de volume sistólico e diastólico finais do VE
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Fonte: Ferraz, A S.; Arakaki, H. Atividade Física e qualidade de vida após transplante cardíaco. Revista da Sociedade
de Cardiologia do Estado de São Paulo, v.5, n.6, nov./dez. 1995, p. 671-678.
A exemplo do quadro 1, para melhor visualização dos efeitos do condicionamento físico em pacientes após o transplante cardíaco, apresentamos o quadro 2, podendo desta forma observar estas alterações de forma mais organizada.
Quadro 2 - Efeitos do condicionamento físico em pacientes após o transplante cardíaco
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Frequência Cardíaca
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Redução da Fc de repouso
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Redução da Fc ao exercício submáximo
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Aumento da Fc ao exercício máximo
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Consumo de oxigênio e ventilação
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Aumento do consumo máximo de oxigênio
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Aumento do limiar anaeróbio
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Aumento da ventilação máxima
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Redução do equivalente ventilatório (VE/VO2) e equivalente ventilatório de dióxido de carbono (VE/VCO2) ao exercício submáximo.
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Retardo na elevação do lactato durante o exercício
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Hemodinâmica
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Diminuição dos níveis sistólico e diastólico da pressão arterial ao repouso e em exercício submáximo
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Aumento da pressão arterial sistólica e redução da diastólica ao exercício máximo
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Outros
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Redução da percepção do esforço
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Redução da gordura corporal
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Melhora do perfil lipídico
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Melhora do perfil psicossocial
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Fonte: Ferraz, A S.; Arakaki, H. Atividade Física e qualidade de vida após transplante cardíaco. Revista da Sociedade de
Cardiologia do Estado de São Paulo, v.5, n.6, nov./dez. 1995, p. 671-678.
Conclusão
A prática da atividade física deve ser criteriosa para, os pacientes cardiopatas inseridos ao programa de transplante cardíaco, pois além da incompatibilidade do exercício físico às condições cardiocirculatórias estes se encontram em um estado de limitações biopsicossociais.
Concluímos que a atividade física anterior ao transplante pode contribuir para a redução dos sintomas, manutenção das condições clínicas para a realização do procedimento ou até para dispensar o receptor da fila de espera devido à convalescença de seu estado de saúde e de sua qualidade de vida.
Além disso, a atividade precoce está sendo muito recomendada como terapêutica e reabilitação do transplantado, no objetivo de melhorar sua capacidade física e prevenir algumas complicações clínicas no pós-operatório, tais como, descondicionamento físico, atrofia e fraqueza muscular e menor capacidade aeróbia máxima, decorrentes em parte da inatividade pré-operatória e de fatores como diferença de superfície corpórea doador/receptor, desenervação do coração, entre outros.
Analisando os fatores fisiológicos, no que diz respeito à prática da atividade física, concluímos que nos pacientes transplantados, a ausência de inervação autonômica resulta em maior freqüência cardíaca (FC) de repouso, elevação mais lenta da FC durante o exercício e menor FC máxima, além de uma redução também mais lenta e gradual da FC na recuperação.
Com isso conseguimos realizar uma abordagem satisfatória dos aspectos relacionados à prática do exercício físico aos pacientes submetidos ao programa de transplante cardíaco e assim, visualizar os aspectos benéficos e maléficos da atividade física ao cardiopata.
Vale ressaltar que o papel do enfermeiro juntamente à equipe multiprofissional é de ser incentivador desta prática mostrando ao paciente a extrema importância para a sua recuperação e reabilitação e assim, retomar sua qualidade de vida próxima a que tinha antes da doença, permitindo um convívio social satisfatório e retorno a uma vida ativa e produtiva. O acompanhamento ambulatorial é fundamental para que possam refletir as suas limitações associadas a uma prática de atividade física satisfatória e benéfica ao seu organismo.
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