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CONTRIBUIÇÔES DA ATIVIDADE FÍSICA NA TERAPÊUTICA DE PACIENTES CARDIACOS
Prof. Dr. Pedro Marco Karan Barbosa
Joselena Mazonetto de Oliveira
Daniele Maria Teche
Esta pesquisa foi realizada com o objetivo de identificar quais as influências da atividade física na terapêutica de portadores de cardiopatias, analisando as opiniões, concordâncias e divergências entre os autores. A metodologia utilizada inclui a revisão da literatura, pesquisada através da base de dados Lilacs e em sites de cardiologia, onde fichamos 24 artigos para descrição e posterior análise. Foi possível constatar na análise que embora existam cautelas para se implementar a atividade física e o risco de lesão ser maior em cardiopatas, ainda assim os benefícios superam os agravos decorrentes do sedentarismo. Ao final desta pesquisa concluímos ser fundamental o trabalho multiprofissional e a ação do enfermeiro neste processo, para promoção de ações educativas que visem a diminuição de agravos e melhoria na qualidade de vida destes pacientes.
UNITERMOS: Exercício físico; cardiopatia; qualidade de vida.
INTRODUÇÃO
Durante nossa atuação nos deparamos constantemente com pacientes portadores de doenças cardiovasculares, e consequentemente com a responsabilidade da elaboração de um plano de cuidados de enfermagem, procurando estabelecê-lo de forma a considerar a gravidade individualizada dos clientes sob nossa responsabilidade
À medida em que nos aproximamos destes clientes, encontramos dificuldades para desenvolver a assistência de enfermagem no que se relaciona aos cuidados que envolvem a terapêutica não medicamentosa, visto que, ao nosso entender, a recuperação, promoção e prevenção de agravos cardiovasculares estão também associados aos cuidados referentes as atividades físicas, sendo assim, sentimos a necessidade de nos apropriarmos de conhecimentos referentes às alterações que a atividade física promove no organismo destes indivíduos, pensando basicamente no processo de reabilitação dos mesmos.
Na tentativa de buscar a resposta sobre a nossa inquietação foi que sentimos a necessidade de procurar na literatura argumentos que pudessem fundamentar nossas ações, o que certamente nos possibilitará entender como a atividade física poderá atenuar o agravo fisiopatológico dos pacientes portadores de doença cardiovascular, ou promover a recuperação possibilitando uma melhor qualidade de vida.
OBJETIVO
Identificar quais as influências da atividade física na terapêutica de pacientes portadores de cardiopatias, à luz da literatura publicadas em periódicos específicos de cardiologia, comparando as opiniões, concordâncias e divergências entre os autores.
METODOLOGIA
Este trabalho foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, com busca realizada em periódicos específicos de cardiologia. A pesquisa feita por meio de consulta na base de dados LILACS e em sites voltados para a área da saúde, concentrou-se no período de março a junho de 2004.
Os critérios usados para a seleção e fichamento foram artigos em português publicados de 1993 a 2004, contidos em revistas de cardiologia que tratassem de temas relacionados à prática do exercício físico por pacientes cardiopatas.
Para a procura das referências, os descritores utilizados foram insuficiência cardíaca/exercício, insuficiência cardíaca/ prevenção, insuficiência cardíaca/fator de risco, insuficiência cardíaca/complicações, atividade física/prescrição, insuficiência cardíaca/assistência, reabilitação cardiovascular, doenças cardiovasculares/qualidade de vida.
Selecionamos 21 artigos específicos da literatura de cardiologia dos 57 pesquisados, pois estes retratavam especificamente a prática da atividade física como mecanismo preventivo e curativo, atendendo assim ao nosso propósito.
Para a apresentação dos resultados fizemos uma análise qualitativa, separamos os assuntos conforme a semelhança de temas expostos pelos autores, onde identificamos suas opiniões, concordâncias e divergências.
Dentre estes temas, foram agrupados os seguintes assuntos: efeitos positivos do exercício, efeitos fisiológicos e fatores não fisiológicos associados, considerações sobre a realização da atividade física nos portadores de insuficiência cardíaca, diminuição dos custos decorrentes da prática do exercício, fatores de risco e contra-indicação para a atividade física.
MARCOS DE REFERÊNCIA
Segundo alguns autores (1) nos pacientes cardiopatas, há restrições nas atividades cotidianas em decorrência da limitação da capacidade funcional produzida pelas doenças cardiovasculares. A alta prevalência das doenças do coração, juntamente com as limitações funcionais, impulsionam muitos programas de saúde, a fim de prevenir o seu surgimento e reduzir suas consequências.
Um outro autor (2,3) complementa que estas atividades de recuperação, proteção e promoção da saúde atuam tanto no ponto de vista físico, como psicológico e social. Ainda considera como ações de promoção da saúde e melhora na qualidade de vida, alimentação saudável, participação em programas de atividade física, ausência de hábitos nocivos (tabagismo, alcoolismo e toxicomania), adequação do estresse inerente ao viver e aperfeiçoamento nas relações interpessoais.
Para os pesquisadores(4) explicam a necessidade da interação entre dieta e exercício físico devido à estreita relação entre demanda energética/dia, consumo máximo de oxigênio, ingestão de gorduras e fatores de risco predisponentes às doenças cardiovasculares observados em pesquisa.
No que se refere a necessidade de se avaliar a relação custo-benefício entre prevenção e gastos em consequência da doença, alguns estudiosos(5) relatam tornarem-se onerosos os tratamentos ao doente coronariano, devido aos gastos com internações hospitalares, cateterismo cardíaco, angioplastia, cirurgia de revascularização miocárdica e reabilitação cardíaca, além do prejuízo provocado pelo afastamento destes pacientes do trabalho. Torna-se necessário então o incentivo a implementação de programas de exercício físico para que ocorra diminuição dos custos mencionados.
Os programas de atividade física favorecem alterações como efeitos psicológicos benéficos, aumento da massa muscular, maior fluxo sanguíneo periférico (pela redução da resistência vascular, com o aumento do número de capilares), melhora na capacidade oxidativa e retardo no aparecimento do metabolismo anaeróbio na musculatura esquelética, além de tornar melhor o ergorreflexo(6,7).
O treinamento aeróbio leva a uma maior eficiência na capacidade respiratória e física (incluindo aumento na força localizada), consumo máximo de oxigênio e ventilação voluntária máxima. Ocorre também diminuição da freqüência cardíaca, sem elevação da pressão arterial, redução da ativação neuro-hormonal e antiinflamatória, alteração da complacência vascular, elevação do HDL colesterol e melhoria no perfil lipídico, diminuição de outros fatores de risco para doença coronariana. Estes fatores interferem positivamente no prognóstico destes pacientes cardiopatas, amenizando sua condição clínica e reduzindo os índices de mortalidade(7).
Relacionando a interação entre débito cardíaco e hipertrofia ventricular com a atividade física freqüente os autores(7) descrevem que o mecanismos compensatórios são ativados, na tentativa de preservar o volume de sangue circulante, que compreendem o aumento na pré-carga e volume diastólico final (mecanismo de Frank-Starling), hipertofia ventricular esquerda e ativação neuro-hormonal. Nos pacientes com insuficiência cardíaca crônica, há dificuldade em elevar adequadamente o débito cardíaco com a prática regular de exercício, havendo redução da perfusão da musculatura esquelética, tanto no repouso como em movimento, e aumento na resistência vascular nos músculos em atividade. A capacidade física limitada desses pacientes está relacionada então a essa diminuição do fluxo sanguíneo, que provoca redução da oferta de oxigênio ao músculo esquelético.
Ainda tratando-se de portadores de insuficiência cardíaca, os estudiosos(8,9) compararam estes doentes com pessoas sadias e observaram como alterações, uma menor tolerância ao exercício físico e respostas metabólica e respiratória mais intensas durante a mesma atividade praticada. Isto explica a limitação dos cardiopatas, que apresentam sintomas como dispnéia e fadiga, mesmo quando em repouso.
Em relação à melhora na oferta de oxigênio há maior volume de oxigênio máximo, pós-carga e eficiência na extração de oxigênio no sangue (diferença arteriovenosa máxima) na capacidade de trabalho de indivíduos normais que se submeteram ao condicionamento físico. A diferença arteriovenosa de oxigênio e o fluxo sanguíneo muscular máximo estão aumentados em decorrência de modificações endoteliais, promovendo liberação de fatores de relaxamento endotelial (EDRF) e o metabolismo oxidativo das células musculares(6).
O gasto de 2.000 calorias semanais por meio de exercícios adequados é o essencial para promover um impacto significativo sobre a saúde cardiovascular, o que pode somar dois anos na vida dos indivíduos, além dos reflexos favoráveis à qualidade de vida. Enfatizam também que cada degrau de escada subido representaria um acréscimo de 0,4 segundo a vida(5).
Tornou-se evidente que a prevenção e reabilitação de doenças cardíacas através da prática regular de exercícios mostrou aspectos positivos. Foi observado que, em pessoas sedentárias, que realizaram o mínimo de atividade física, houve melhora significativa relacionada ao risco cardiovascular (10).
Outros fatores positivos atribuídos ao exercício físico incluem é a maior tolerância à glicose, diminuição da sensibilidade insulínica, redução na agregabilidade plaquetária e na fibrinogênese no plasma. Estes autores comentam ser estas as adaptações funcionais mais relevantes que os próprios fatores de risco encontrados em cardiopatas(4).
O sedentarismo “marca registrada” em pessoas na faixa etária dos 30 aos 60 anos de idade, referindo que estas passam mais da metade do seu tempo sentadas, enquanto acordadas. Este autor traz como sugestão mudanças no cotidiano e inclusão em programas de atividade física como medidas profiláticas ao desenvolvimento de agravos(2).
Os autores explicam estar o sedentarismo relacionado à maior incidência de doença coronária e afirmam que a prática regular de atividade física atua melhorando a capacidade respiratória e minimizando fatores de risco para aterosclerose coronária, como hipertensão arterial sistêmica, níveis plasmáticos alterados de glicose e insulina (diabete), obesidade e anormalidades no perfil lipoprotéico(11,12).
Estudos têm demonstrando haver redução de 30 a 55% de risco para doença coronária quando se comparam indivíduos ativos a sedentários; enfatizam também menor mortalidade global em grupos com exercício físico orientado do que naqueles que o fazem sem supervisão(11).
A medida da capacidade funcional primordial para quantificar cientificamente os programas de condicionamento físico, por ser a intensidade relativa do esforço o parâmetro mais importante na prescrição de exercícios. Esta intensidade é medida através do percentual da capacidade funcional (% do volume de oxigênio máximo)(1,6).
Em uma pesquisa onde analisaram os programas de condicionamento físico, inclusive os domiciliários, chegaram a conclusão que são benéficos aos pacientes com ICC, desde que haja uma avaliação individualizada, considerando a idade e o grau da ICC, sem que provoque sintomas(3).
No I Consenso Nacional de Reabilitação Cardiovascular, uma das pesquisas apresentadas(13) descreve que ocorre aumento da tolerância ao esforço naqueles que se submetem a programas de reabilitação cardíaca. Também há evidências do baixo risco do exercício mostrados em pesquisas após a década de 60 quando feito treinamento aeróbio supervisionado de baixa intensidade. Estudos randomizados demonstraram diminuição em 25% na mortalidade cardíaca quando incluída a Reabilitação Cardiovascular (RCV) na terapêutica.
Alguns pesquisadores(14,2,8,10) ressaltam ser o exercício aeróbio o mais indicado para a prevenção cardiovascular, pois nos indivíduos de alto risco exercícios inadequados trariam agravos para a condição clínica. O exercício aeróbio é aquele em que se utiliza grandes grupos musculares trabalhados de forma cíclica, com baixa e moderada intensidade e longa duração, realizados de 3 a 5 vezes por semana.
Ainda em comento outros autores descrevem que em uma sessão de exercício supervisionado existem no mínimo três itens: aeróbio, flexibilidade e fortalecimento muscular. Trazem a necessidade de começar e terminar o exercício físico com níveis baixos, tendo na atividade aeróbia maior intensidade, assemelhando esta situação ao formato de um trapézio. Finalizando a sessão, são realizados exercícios de fortalecimento e flexibilidade consecutivamente. Estes autores alertam sobre o cuidado com a escolha de cargas ou pesos nos exercícios de fortalecimento, devido ao risco de lesões na musculatura. Este trabalho poderá ser praticado apenas perante confirmação da estabilidade hemodinâmica do cliente. Já os exercícios de flexibilidade são orientados quando o indivíduo encontra-se aquecido, visando minimizar as limitações de mobilidade observadas(15).
Os exercícios de alta resistência praticados três vezes por semana durante 20 minutos como promotores de melhoria no perfil cardiorrespiratório e discreto aumento metabólico. Os autores recomendam então exercícios de baixa intensidade (de aproximadamente 50% do consumo máximo de oxigênio) diariamente, porque produzem benefícios para a distribuição da gordura corpórea, sensibilidade insulínica e perfil lipoprotéico, embora traga menos efeitos positivos sobre o volume máximo de oxigênio. A prescrição desse tipo de atividade é simples e existe facilidade na aceitação pelos pacientes a longo prazo(11).
Didaticamente a reabilitação é dividida em três fases. Na fase I (programa para pacientes hospitalizados), iniciada 24 horas após a estabilização clínica, são praticadas atividades no intuito de evitar os agravos promovidos pelo repouso prolongado, invalidar efeitos psicológicos negativos e retorno às atividades diárias; nestes casos, é importante considerar a idade, debilidade física ou outras limitações no paciente; os exercícios iniciam-se com baixa intensidade; o tempo varia de 5 a 10 minutos, com 2 a 4 sessões diárias, que diminuem gradativamente com o aumento concomitante da duração (20 a 30 minutos) conforme haja melhora na capacidade funcional. A fase II (convalescença pós-alta hospitalar) é caracterizada por suas subdivisões em alto, intermediário ou baixo risco, sendo que os programas podem ou não ser supervisionados; os clientes devem ser encorajados a aumentar a intensidade da atividade até a duração de 30 a 60 minutos, associando atividade aeróbia juntamente com a diminuição das sessões para 3 a 4 vezes na semana. Já a fase III (programa comunitário, de ganho funcional) é realizada de 6 a 12 semanas pós-alta hospitalar, com orientação de 6 a 12 meses e duração de 30 a 60 minutos, 3 a 4 vezes por semana, devendo-se fazer reavaliação semestral através do exame cardiológico com utilização do teste ergométrico. Estes autores orientam começar o aquecimento alternando caminhadas com pequenas corridas e desaquecimento gradativo até o término da sessão(12).
Ainda há que se considerar algumas precauções durante as sessões de treinamento físico: não realizar grandes refeições duas horas antes do exercício; tomar água aos goles antes, durante e após a atividade física; evitar refrigerantes, fumo e/ou bebida alcoólica; não praticar exercícios em jejum; ingerir frutas, pães, sucos e açúcar comum uma hora antes das sessões (diabéticos devem seguir instruções especiais); evitar exercício em caso de poluição, grandes variações de temperatura, umidade ou altitude; exercitar-se no mínimo três horas após acordar; utilizar roupas leves e claras no verão e quentes no inverno, dispensando trajes emborrachados; os calçados devem ser macios e flexíveis; a prática esporádica de atividade não é indicada; aceitar suas limitações pessoais e atentar quanto a persistência de queixas álgicas, procurando ajuda médica(16).
Mencionam também a respeito do risco de morte cardíaca durante a atividade física ser proporcional à intensidade do treinamento. Apesar disso, programas de baixa a moderada intensidade por tempo prolongado são tão benéficos em indivíduos normais quanto em cardiopatas.
Outros autores também dividiram seus pacientes de acordo com a gravidade durante a realização do exercício, classificando-os como alto, intermediário ou baixo risco(12).
Nos de maior risco encontravam-se afecções como severo comprometimento da função ventricular esquerda (fração de ejeção < 30%), arritmia ventricular complexa em repouso, manifestação ou intensificação desta ao esforço, hipotensão ao esforço (queda da PA ≥ 15 mmHg), IAM recente complicado por arritmia ventricular grave, isquemia induzida pelo exercício e sobreviventes de parada cardíaca.
Os de risco intermediário apresentavam capacidade funcional < 8 METs ( 1 MET= 3,5 ml 02/kg/min) no teste ergométrico da terceira semana, choque ou IC durante IAM recente, inabilidade para automonitoração da FC, dificuldade no seguimento da prescrição de exercícios e isquemia induzida pela atividade física.
Finalmente os de baixo risco ocorreram em casos como pós- IAM ou pós cirurgia de revascularização com evolução não complicada, capacidade funcional ≥ 8 METs no teste ergométrico da terceira semana, assintomáticos em repouso com capacidade adequada para a maior parte das atividades vocacionais e recreativas, ausência de isquemia, disfunção ventricular esquerda ou arritmia complexa.
Dargains (2000) cita No que se relaciona a contra-indicações absolutas para a realização de atividade física os autores destacam angina instável, PAS > 200 mmHg ou PAD > 120 mmHg em repouso, estenose aórtica severa, doença sistêmica aguda ou presença de febre, arritmia atrial ou ventricular não controlada, taquicardia sinusal não controlada (FC > 120 bpm), insuficiência cardíaca descompensada, bloqueio átrio ventricular de terceiro grau sem marcapasso, miocardite ou pericardite ativa, embolia recente, tromboflebite, infradesnível de ST > 2 mm de início recente, diabetes não controlada (glicemia de jejum > 300 mg/dl), problemas ortopédicos que possam se agravar com o exercício e outros problemas metabólicos como tireoidite, hipovolemia, hipo ou hiperpotassemia(17).
Já nas contra-indicações relativas são mencionadas extra-sístoles ventriculares bigeminadas, bloqueio átrio ventricular de terceiro grau, cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, distúrbios metabólicos não compensados (diabete melito, anemia, distúrbios hidroeletrolíticos, tireotoxicose, mixedema, distúrbios neuromusculares e osteoarticulares incapacitantes, estenose aórtica moderada, aneurisma ventricular, marcapasso de frequência fixa, taquiarritmias ou bradicardias, insuficiência respiratória de moderada a grave e distúrbios psiconeuróticos).
O pesquisador enfatiza a hipertensão pulmonar e/ou cianose, cardiopatias congênitas com grandes “shunts”, prolapso da valva mitral em situações de síncope, morte súbita na família, taquiarritmias supraventriculares ou ventriculares desencadeadas pelo exercício, regurgitação mitral e eventos trombóticos anteriores como contra-indicações para a realização de atividade física. Fibrilação atrial intermitente ou crônica quando associada a tireotoxicose, doença arterial coronariana ou hipertensão arterial também constituem contra-indicações(18).
Os autores concluíram que a importância da prescrição de exercício existe, ressaltando que esta deve ser feita de maneira individualizada, analisando os benefícios e riscos a fim de se promover respostas positivas e que confiram melhor qualidade de vida ao cardiopata(14).
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Ao analisarmos os textos selecionados, observamos que todos os autores concordam com a existência de efeitos positivos decorrentes do exercício físico para a saúde, tanto em pessoas sadias quanto em portadores de cardiopatia, no entanto, vale considerar que os pesquisadores apesar de relatarem os efeitos positivos, também descrevem ser necessário haver cautelas em relação à indicação.
Vários autores entendem que a atividade física traz além de contribuições físicas, melhora nos aspectos psíquico e social por promover maior sensação de bem estar e interação entre as pessoas(2,6,7).
Outros concordam que o exercício traz melhora na qualidade de vida, desde que associado a uma alimentação saudável, atividade física, ausência de hábitos prejudiciais, estresse e melhora no convívio social(2,3).
Observamos na nossa prática que o tratamento não-medicamentoso é tão importante quanto ao uso adequado da medicação recomendada e na assistência de enfermagem ao paciente cardiopata, estas duas ações se complementam. Notamos também que os efeitos benéficos da atividade física são potencializados quando associados a uma maior interação social, dieta equilibrada e redução ou exclusão do consumo de álcool, tabaco e/ou drogas ilícitas. Neste sentido, cabe ao enfermeiro realizar ações de orientação que estimulem a equipe na criação de maior vínculo com o cliente, obtendo consequentemente a adesão à terapêutica proposta.
Houve entre os estudiosos os que relataram divergências ou cautelas no que se refere à realização do exercício físico em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva. Neste sentido a atividade física é pouco recomendada devido ao risco de agravo da doença(7).
Porem, outros estudiosos incentivam a atividade física desde que haja avaliação prévia, por meio da medida da capacidade funcional e exercícios supervisionados(4,6,11).
Em relação à intensidade da atividade física encontramos divergências entre os autores, onde recomendam programas de baixa a moderada intensidade, preocupando-se com o risco de complicações e morte que podem aparecer em decorrência de atividade não supervisionadas e problemas nas orientações(2,8,10,14,16).
A precaução em relação a atividade física, também existe entre os autores estudados, sendo assim eles relatam serem mais adequados os exercícios de baixa intensidade, sob orientação e controle de pessoal especialista(11,12,15).
Outros pesquisadores concluem ser importante a utilização de avaliação física individual do paciente para que se possa observar a necessidade de supervisão e identificação de contra-indicações(19,14).
Retratando sobre os efeitos fisiológicos benéficos do exercício físico os autores descrevem a melhora na oferta de oxigênio, aumento na estabilidade elétrica do miocárdio, melhora psicológica e social, aumento da massa muscular, maior fluxo sanguíneo periférico e ergorreflexo, diminuição da freqüência cardíaca sem elevação da pressão arterial, redução da ativação neuro-hormonal e antiinflamatória, alteração da complacência vascular, elevação do HDL colesterol e melhoria no perfil lipídico, maior tolerância à glicose, diminuição a sensibilidade insulínica, redução na agregabilidade plaquetária e na fibrinogênese no plasma, diminuição de fatores de risco para doença coronariana, aumento na pré-carga e volume diastólico final e melhora na tolerância ao exercício. Não houve divergências entre eles em seus estudos(20,214,6,7,11).
Estudos mostraram que há maior incidência de doença coronária em sedentários, havendo necessidade de mudança nos hábitos de vida e inclusão em programas de atividade física no cotidiano da população(12).
E outro trabalho foi relatado que existe redução significativa nos custos com medicamentos, internações hospitalares e realização de exames quando os pacientes são submetidos a programas de reabilitação física(5).
Apesar de existirem cautelas para a implementação da atividade física em portadores de cardiopatia e o risco de lesão com a realização do exercício ser maior nestes pacientes, ainda assim notamos que os benefícios fisiológicos superam os agravos decorrentes do sedentarismo. A presença de um enfermeiro capacitado a identificar as particularidades de cada paciente e intervir nas dificuldades encontradas é essencial para a eficácia do tratamento.
Vários autores mencionam como fatores de risco para desenvolvimento de doença coronariana, tais como a idade, sexo (independente da idade), história familiar de doença arterial coronária, HDL colesterol baixo, lipoproteína(a) e fibrinogênio aumentados, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, diabete, sedentarismo, sobrepeso/obesidade, estresse, dislipidemia (LDL colesterol), consumo exagerado de álcool. Estes fatores agravam a saúde e limitam a capacidade de realizar exercícios(4-6,21).
Como contra-indicações para a atividade física dos pacientes portadores de cardiopatias, estão aqueles que apresentam os seguintes sintomas e/ou patologias: angina instável, PAS > 200 mmHg ou PAD > 120 mmHg em repouso, estenose aórtica severa, doença sistêmica aguda ou presença de febre, arritmia atrial ou ventricular não controlada, taquicardia sinusal não controlada (FC> 120 bpm), insuficiência cardíaca descompensada, bloqueio átrio ventricular de terceiro grau sem marcapasso, miocardite ou pericardite ativa, embolia recente, tromboflebite, infradesnível de ST > 2mm de inicio recente, diabetes não controlada (GJ > 300mg/dl), problemas ortopédicos que possam se agravar com exercício e outros problemas metabólicos como tireoidite, hipovolemia, hipo ou hiperpotassemia, hipertensão pulmonar e/ou cianose, cardiopatias congênitas com grandes shunts, prolapso de valva mitral em situações de síncope, morte súbita na família, taquiarritmias supraventriculares ou ventriculares desencadeadas pelo exercício, regurgitação mitral e eventos trombóticos anteriores, fibrilação atrial intermitente ou crônica quando associada a tireotoxicose e doença arterial coronariana(17,18).
Tendo em vista que o portador de cardiopatia necessita de uma avaliação prévia individualizada e acompanhamento no que diz respeito a realização de exercícios, é essencial que o enfermeiro esteja habilitado a promover ações de ensino ao paciente e familiares com o intuito esclarecer dúvidas sobre as limitações da doença, diminuir ansiedades e medos e promovendo melhora no estado de saúde destes indivíduos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos concluir com este estudo que a realização da atividade física promove significativas melhoras fisiológicas, psicológicas e sociais no estado de saúde dos portadores de cardiopatia, desde que seja desenvolvida regularmente e prescrita de forma individualizada.
Entendemos também que estas atividades atingem maior resultado quando associadas à dieta equilibrada, diminuição do sódio e gordura, aumento na ingestão de potássio e controle do peso corporal. Outros hábitos como uso excessivo de drogas lícitas e/ou ilícitas, bem como determinantes estressores devem ser abolidos ou evitados.
Para que se possa implementar o processo de reabilitação cardiovascular, é fundamental uma equipe multiprofissional competente, que atue de forma integrada, com os mesmos objetivos e mantendo enfoque no paciente.
Neste cenário, é primordial a ação do enfermeiro. Este deve considerar o comportamento, cultura e história de vida do cliente e família, estabelecendo vínculo e podendo assim trabalhar com ações educativas para prevenção de agravos e melhora na qualidade de vida. As ações educativas têm a finalidade de minimizar angústias, medos e dúvidas que o cardiopata venha a ter, garantindo assim confiança pela equipe e adesão à terapêutica.
Consideramos ser o tratamento não-medicamentoso tão importante quanto a terapêutica medicamentosa e a interação entre eles, juntamente com o trabalho em equipe, proporcionam o sucesso da reabilitação nos pacientes.
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