SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM INFORMATIZADA UTILIZANDO OS DIAGNÓSTICOS DE NANDA E INTERVENÇÕES
* Profº Dr. Pedro Marco Karan Barbosa
**Aguinaldo Alves Da Silva
O diagnóstico é um mecanismo útil para a estruturação do conhecimento de enfermagem, em uma tentativa de definição do papel e dos domínios próprios do enfermeiro. Neste sentido, este trabalho tem como propósito apresentar um programa informatizado desenvolvido no Hospital das Clínicas de Marília, sobre a implantação da sistematização da assistência de enfermagem, utilizando o diagnóstico de enfermagem segundo NANDA, bem como, as ações para cada um dos diagnósticos estabelecidos. Os dados foram levantados pelos enfermeiros do referido hospital através de um instrumento elaborado por estes profissionais, utilizando o referencial de HORTA (1979). Após a aplicação deste instrumento, foram validados os diagnósticos e propostas intervenções, e em parceria com Núcleo Técnico de Informática construído um programa informatizado.Com a utilização do diagnóstico de enfermagem, verificamos uma maior facilidade para o desenvolvimento da sistematização da assistência, além de promover a constante atualização científica do enfermeiro, qualificando a assistência de enfermagem aos nossos pacientes.
Unitermos: diagnóstico de enfermagem, sistematização da assistência de enfermagem, informatização.
SYSTEMATIZATION OF COMPUTERIZED ATTENDANCE OG NURSERY, USING THE DIAGNOSIS OF NANDA TO INTERVENTIONS
The diagnose is a useful mechenism, for the structuring knowledge of nursing, in na attempt to give definition to the work and to the nurse own domains. In this sense, this work has a purpose to present a computerized program developed in the Hospital das Clinicas of Marília, on implementation of the systematization of the nursing attendance, using its diagnosis of nursing according to NANDA, as well as the actions for each one of the established diagnosis. Te data were discovered by these professionals, using the referential of HORTA (1979). After the application of this instrument, the diagnosis were validated, interventions were proposed and with partnership whit the Technical Nucleus of Computer Science building a computerized program. Whit the use of the diagnosis of nursing we verified a large easiness for the development of the systematization of attendance, besides promoting a constant scientific upgrade to the nurse, giving them qualification of the nursing attendance to our patients.
Key words: The nursing diagnoses, systematization of the nursing attendance, interventions
SISTEMATIZACÓN DE LA ASISTENCIA DE ENFERMMARÍA INFORMATIZADA UTILIZANDO EL DIAGNÓSTICO DE NANDA Y INTERVENCIONES
El diagnóstico es un mecanismo útil para la estructuración del conocimento de enfermería, en una tentativa de defunición del papel y de los dominios propios del enfermero. En este sentido, este trabajo tiene como propósito, presentar un programa informatizado desarrollado en el Hospital das Clínicas de Marília. Acerca de la implantación de la sistematización de la asistencia de enfermería, utilizando el diagnóstico de enfermería según NANDA, asi como, las acciones de cada uno de los diagnósticos establecidos. Los datos han sindo recolectados a través de un instrumento elaborado por estos profesionales, utilizando el referencial de HORTA (1979). Pasado la aplicación de este instrumento, han sido validados los diagnósticos y propuestas intervenciones, y en parcería com el NúcleoTécnico de Informática construido un programa informatizado. Com la utilización del diagnóstico de enfermeíra, hemos verificado una facilidad m´s grande para el desarrollo de la asistencia, además de promover la constante actualización cintífica del enfermero, cualificando la asistencia de enfermería a nustro pacientes.
Palabras claves; diagnóstico de enfermería, sistematización de la asistencia de enfermería, intervencions.
*Prof. Dr. da FAMEMA, Chefe do serviço de Enfermagem do Hospital das Clínicas de Marília -
**Sociólogo, Analista de informações, especialista em Saúde Pública e Administração Hospitalar
No século XVIII, percebeu-se a importância de fazer registros sobre o paciente, e o enfermeiro destaca-se pela capacidade de observação e orientação no processo de registrar as alterações significativas para o acompanhamento do estado de saúde do cliente e da família sob sua responsabilidade, o qual conhecemos nos dias de hoje, como sistematização da assistência de enfermagem (SAE).
A SAE estabelece um esquema subjacente que proporciona ordenamento e direcionamento ao trabalho do enfermeiro. Constitui a essência da prática profissional da enfermagem. É ainda o “instrumento” e a metodologia da profissão do enfermeiro a qual auxilia os profissionais a tomarem decisões, e a preverem e avaliarem conseqüências(1).
Para um dos autores estudados(2) a utilização da SAE, também denominado processo de enfermagem, faz com que o enfermeiro defina seu papel junto ao usuário e a outros profissionais da área de saúde, deixando claro que a enfermagem é mais do que apenas a implementação do plano de cuidados, tal como prescrito pelo médico. Além disso, aumenta a satisfação, acentua o aperfeiçoamento profissional e facilita o desenvolvimento de relações significativas enfermeira-cliente por aumentar a capacidade do profissional de enfermagem para auxiliar o usuário de saúde a satisfazer as necessidades identificadas. Isso evita a monotonia que pode advir de uma metodologia repetitiva e voltada somente para a tarefa.
No século XX, Horta(3), salienta que para a atuação eficiente de enfermagem, esta precisa desenvolver sua metodologia de trabalho fundamentada no método científico, o que foi denominado processo de enfermagem. Este se constituí na dinâmica de ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando assistência ao ser humano. Para ela o enfermeiro deve assistir o indivíduo, a família ou comunidade, em suas necessidades humanas básicas, utilizando-se de um método próprio baseado na metodologia científica.
A partir de então o processo de enfermagem passou por muitos estudos e aplicações, principalmente na década de 80, com a promulgação da Lei número 7.498/86. Nessa época tornou-se sinônimo de garantia de uma prática que busca a individualização do cuidado com abrangência psicossocial, psicoespiritual e física (4).
Em suma, o processo de enfermagem foi desenvolvido como método específico para aplicação, com abordagem científica, na solução do problema na prática de enfermagem (4).
Desde 21 de janeiro de 2000 a Sistematização da Assistência de Enfermagem(SAE) tornou-se obrigatória em todo o Estado de São Paulo, de acordo com o determinado pela decisão DIR/SP-008/99(5).
Segundo artigo terceiro da resolução do COFEN 272/2002 a SAE deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente/cliente/usuário, devendo ser composta por: histórico de Enfermagem; exame físico; diagnóstico de enfermagem; prescrição da assistência de enfermagem; evolução da assistência de enfermagem e relatório de enfermagem, sendo privativo do enfermeiro, histórico de enfermagem, exame físico, diagnóstico de enfermagem, prescrição da assistência de enfermagem e evolução da assistência de enfermagem. A anotação deve ser realizada por toda equipe .
No mundo da assistência à saúde de hoje, em que múltiplos sistemas devem comunicar-se através de barreiras de espaço, tempo e tecnologia, os enfermeiros precisam utilizar uma linguagem padronizada para representar os diagnósticos, as intervenções e os resultados de enfermagem, pois, sem ela, nossa profissão não pode aumentar a sua capacidade de articular as suas contribuições para uma assistência eficaz quanto ao custo e de qualidade. À medida que continuam os esforços para desenvolver terminologias de referência que compreendam a totalidade da experiência de assistência à saúde, a enfermagem deve posicionar-se como parte integrante desse desenvolvimento e deve certificar-se de que está claramente representada nessas terminologias(6).
Para NANDA, um diagnóstico de enfermagem é um julgamento crítico acerca das reações de um indivíduo, família ou comunidade frente a problemas reais ou potenciais de saúde ou a processos de vida e, constitui a base para a seleção de intervenções de enfermagem, para que se chegue aos resultados esperados pela enfermeira (2).
OBJETIVO
Apresentar um programa informatizado que possibilite a aplicação da sistematização da assistência de enfermagem aos pacientes internados, utilizando como referencial o diagnóstico de NANDA.
METODOLOGIA
O trabalho foi desenvolvido no Hospital das Clínicas de Marília, onde após reunião com os enfermeiros desta instituição, ficou estabelecido como meta para o ano de 2004 a implementação do diagnóstico de enfermagem segundo NANDA, bem como, as intervenções de enfermagem para cada diagnóstico estabelecido.
A identificação dos diagnósticos foi feita na Unidade de Terapia Intensiva, setor este que consta atualmente com 24 leitos dividido em 2 unidades, a qual atende a paciente clínicos e cirúrgicos em estado crítico de saúde.
Após a determinação desta meta, iniciou-se um programa de capacitação teórico - prática sobre a elaboração de diagnóstico de enfermagem segundo NANDA destinados aos profissionais enfermeiros, utilizando como método a educação em serviço.
Uma vez capacitados, iniciamos a coleta de dados, onde utilizamos um instrumento adaptado às necessidades da instituição, tendo como referencial HORTA (1979).
A aplicação deste instrumento possibilitou-nos o estabelecimento dos padrões mínimos dos diagnóstico apresentados pelos pacientes internados neste setor.
Uma vez estabelecidos os diagnósticos, iniciamos uma outra fase, ou seja, um levantamento das ações de enfermagem para cada diagnóstico, utilizando para tal a pesquisa na literatura.
Após, solicitamos o Núcleo de Informática para que em conjunto com o Chefe do Serviço de Enfermagem da instituição, elaborassem a construção de um programa informatizado que pudesse atender as nossas necessidades.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Para a apresentação dos resultados, optamos em demonstrar as telas que foram criadas pelo pesquisador em conjunto com o assistente técnico do Núcleo Técnico de Informática da Instituição, onde após várias tentativas conseguimos elaborar uma que viabilizasse a aplicação da SAE informatizada em nossa instituição, atendendo assim ao nosso propósito, como estão demonstrado nas figuras abaixo.
FIGURA 1 - Apresentação da página inicial constando 1- cadastramento de pacientes, 2 -diagnósticos e prescrições, 3 - cadastramento de cuidados de enfermagem e 4 - cruzamento dos diagnostico de enfermagem segundo NANDA bem como as intervenções por diagnósticos

Ao abrirmos a página inicial, iremos defrontar com a figura 1, o que ira nos apresentar os campos a serem preenchidos pelo enfermeiro de plantão na UTI, no ato da internação dos pacientes.
No campo de número 1, cadastramos os pacientes internados na UTI, preenchendo os campos conforme demonstra a Figura 2, ou seja: número de internação na UTI (campo 5), nome completo (campo 6), registro do prontuário (campo 7), dia, mês e ano da internação (campo 8), hora da entrada (campo 9) e setor de origem que o paciente foi encaminhado (campo 10).
FIGURA 2 - Apresentação da planilha onde consta os dados de cadastramento do paciente
Após o cadastramento do paciente, passamos para o campo de número 2, onde ao abrirmos encontramos cadastrados os principais diagnósticos de enfermagem segundo NANDA, bem como a prevalência dos fatores relacionados e características definidoras ou fatores de risco para os diagnóstico.
Vale considerar que após a validação do diagnóstico feita pelo enfermeiro, necessariamente devemos cadastrá-lo, conforme consta no campo de número 11 da figura 3.
Uma vez cadastrado um determinado diagnóstico, os fatores relacionados e as características definidoras, ou fatores de riscos correspondentes ao diagnóstico validado, automaticamente aparecerá na tela no campo de número 12, sendo este passível de mudanças conforme necessidade, e no campo de número 13, será apresentado simultaneamente os cuidados de enfermagem após clicar em gerar itens, ocorrendo também a possibilidade de alterações e/ou implementação de outras prescrições ao utilizar o campo 14 (gerar itens 2).
Após o preenchimento desta planilha, deve-se inserir o formulário próprio da enfermagem na impressora para ser imprimido conforme determinação e modelo elaborado pelo corpo de enfermeiros da instituição.
FIGURA 3 - Apresentação da página que demostra os diagnósticos estabelecidos com as características definidoras, fatores relacionados e fatores de ricos, bem como os cuidados de enfermagem.
Ao abrirmos o campo de número 3, encontramos os cuidados que foram cadastrados no campo 15. Vale considerar que todos estes cuidados foram elaborados pelos enfermeiros da instituição através de pesquisas nas literaturas, não deixando de considerar também a experiência profissional e as normas e rotinas institucionais, bem como todos os diagnósticos validados. Assim, neste campo estão cadastrados todos os cuidados de enfermagem de uma maneira geral, ou seja, sem considerar a especificidade do diagnóstico de enfermagem, servindo como um banco de dados de cuidados de enfermagem
FIGURA 4 - Apresentação geral da planilha dos cuidados de enfermagem pesquisados e cadastrados

Como já citado anteriormente, os diagnósticos de enfermagem foram levantados pelos enfermeiros da atuam no Hospital da Clínicas de Marília, onde após a coleta de dados foram validados e registrados com seus fatores relacionados, características definidoras ou fatores de risco (campo 10).
Uma vez validados os diagnósticos, passamos a inseri-los em uma planilha conforme apresentado no campo 16. Após, no campo 17 constará os fatores relacionados, características definidoras ou fatores de risco, e no campo de número 18, as ações/condutas de enfermagem para cada diagnóstico estabelecido.
Nesta planilha não é permitido alterações, a não ser em caso de necessidade, mantendo assim um banco de dados próprio considerando o diagnóstico. Este banco de dados é apresentado toda vez que é validado um diagnóstico conforme consta na figura 3, campos 11, 12 e 13.
FIGURA 4 - Apresentação da planilha dos diagnósticos validados nos pacientes internados na UTI com os fatores relacionados ou fatores de risco e características definidoras.

Ao informatizarmos a sistematização, conseguimos estabelecer ações de enfermagem para cada diagnóstico, o que tem facilitado nosso serviço aproximando o enfermeiro das questões assistenciais, podendo assim, estabelecer critérios de avaliação referente às ações preconizadas.
Segundo nossos enfermeiros a implementação da sistematização informatizada, favoreceu o cumprimento da lei que estabelece esta ação como privativo do enfermeiro, bem como, proporcionou uma dinâmica de trabalho mais prazerosa, onde o foco de atenção passa ser mais voltado para os cuidados de enfermagem considerando o individuo como um todo e não somente
como uma doença.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a utilização da sistematização da assistência de enfermagem informatizada, temos observado que os enfermeiros apresentam uma maior proximidade junto ao paciente, desempenhando desta forma a função assistencial com maior empenho, buscando principalmente a qualificação dos cuidados e assumindo a responsabilidade na execução da assistência de maior complexidade.
Conseguimos identificar também que a aplicação da sistematização faz com que haja uma aproximação dos profissionais com a pesquisa, fazendo com que ocorra estudos constantes para a determinação dos diagnósticos e principalmente para o estabelecimento das condutas de enfermagem.
Acreditamos que a implementação da SAE não é fácil e que exige por parte do profissional alem da experiência no desempenho das funções, o conhecimento clinico como base para a elaboração dos diagnósticos.
As mudanças são constantes e muito ainda há que ser feito, principalmente no que se relaciona à implementação e publicação de experiências inovadoras, ajudando desta forma a construção de novos paradigmas da profissão.