Graduação em Curso de Enfermagem e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina de Marília (1985).
Mestrado em Escola de Enfermagem pela Universidade de São Paulo Ribeirão Preto (1995).
Doutorado em Escola de Enfermagem pela Universidade de São Paulo Ribeirão Preto (2001)
Especialização: Enfermagem cardiovascular na modalidade de residência, Administração da assistência de enfermagem, Enfermagem médico cirúrgica e Terapia intensiva.

 

Pedro Marco Karan Barbosa

Professor Doutor - FAMEMA






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Tabagismo em estudantes de enfermagem e medicina PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pedro Karan   
Ter, 13 de Outubro de 2009 00:31

PREVALÊNCIA DO TABAGISMO EM ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO DOS CURSOS DE ENFERMAGEM E MEDICINA.

*Pedro Marco Karan Barbosa

**Jóice Mayumi Miyazato

**Karina Rinaldo

**Patrícia Tomiatto Tenguam

O presente trabalho tem por objetivo apresentar o perfil epidemiológico dos estudantes dos cursos de Medicina e Enfermagem da FAMEMA em relação ao tabagismo, bem como a caracterização da postura antitabagista adotada por eles. A pesquisa possui como delineamento de estudo a abordagem descritiva e seccional, através de questionário auto-aplicavél e anônimo, sendo analisados pelo Epi Info 6.0. No total, foram 124 entrevistados, sendo 83 de Medicina (66,9%) e 41 de Enfermagem (33,1%). Os resultados apontaram para uma porcentagem de experimentação no que se relaciona ao sexos dividido (50,0%), havendo 56,1% no curso de Enfermagem e 46,9% no curso de Medicina. Dos entrevistados, a grande maioria, 101 (82,8%) são não-fumantes. No que concerne à postura antitabagista, encontramos que 86,1% dos estudantes se incomodam com a fumaça do cigarro. Neste sentido podemos concluir que o hábito de fumar é pouco freqüente entre os estudantes avaliados, mesmo assim, propomos que as faculdades planejem ações de combate ao tabagismo entre estudantes e docentes da área da saúde, tendo em vista os prejuízos à saúde e à sua imagem profissional.

PALAVRAS CHAVE: tabagismo, estudantes de medicina e Enfermagem, perfil epidemiológico.

PREVALENCE OF THE SMOKING IN NURSING AND MEDICINE GRADUATION STUDENTS

The present paper has as objective to present the epidemic profile of the Medicine and Nursing students at FAMEMA regarding the smoking, as well as the characterization of the antismoking attitude adopted by them. The investigation has as a study delineation the descriptive and sectional approach, through self-applicable and anonymous surveys, being analyzed by the Epi Info 6.0. The total was of 124 interviewees, being 83 of Medicine (66,9%) and 41 of Nursing (33,1%). The results pointed out for an experimentation percentage in what is related to the sexes divided (50%), there being 56,1% in the course of Nursing and 46,9% in the course of Medicine. Of the interviewees, the great majority, 101 (82,8%), are non-smokers. In what concerns to the antismoking attitude, we have found that 86,1% of the students fell bothered with the cigarette smoke. In this sense, we can conclude that the habit of smoking is not frequent among the evaluated students, even so, we propose that the colleges plan combat actions against the smoking among students and professors of the health area, aiming the prejudices to the health and his/her professional image.

KEY WORDS: smoking, Medicine and Nursing students, epidemic profile.

PREVALENCIA DEL TABAQUISMO EN ESTUDIANTES DE GRADUACIÓN DE LOS CURSOS DE ENFERMERÍA Y MEDICINA.

El presente trabajo tiene como objetivo presentar el perfil epidemiológico de los estudiantes de los cursos de Medicina y Enfermería de FAMEMA en relación al tabaquismo, así como la caracterización de la actitud antitabaquista adoptada por ellos. La pesquisa posee como delineación de estudio el abordaje descriptivo y seccional, a través de encuestas auto-aplicables y anônimas, siendo analisadas por el Epi Info 6.0. El total fue de 124 entrevistados, siendo 83 de Medicina (66,9%) y 41 de Enfermería (33,1%). Los resultados apuntaran para un porcentaje de experimentación en lo que se relaciona a los sexos, dividido (50%), habiendo 56,1% en el curso de Enfermería y 46,9% en el curso de Medicina. De los entrevistados, la gran mayoría, 101 (82,8%) son no-fumadores. En lo que se refiere a la actitude antitabaquista, hemos encontrado que 86,1% de los estudiantes se incomodan con el humo de cigarrillo. En este sentido, podemos concluir que el hábito de fumar es poco frecuente entre los estudiantes evaluados, aun así, proponemos que las facultades planeen acciones de combate al tabaquismo entre estudiantes y profesores del área de salud, teniendo en vista los prejuicios a la salud y a su imagen profesional.

PALABRAS CLAVE: tabaquismo, estudiantes de Medicina y Enfermería, perfil epidemiológico.

*Profº Dr. Da FAMEMA Curso de Enfermagem, Chefe do serviço de enfermagem do Hospital das Clínicas de Marília

**Estudante da FAMEMA, Curso de enfermagem.

Introdução

Até o início do século XX, o tabagismo não se configurava como um hábito entre a população mundial, uma vez que por volta de 1900, o consumo per capita, nos EUA, era de 54 cigarros/ano/habitante. A disseminação epidêmica do uso do tabaco teve seu início apenas em 1918, com a industrialização e o barateamento do cigarro e chegou a um limite de aumentar mais do que o crescimento demográfico, alcançando, em 1990, seis trilhões de cigarros consumidos, uma média de mil cigarros/ano/habitante – ainda que tenha havido uma diminuição do consumo, durante a década de 70, devido às pesquisas que ligavam o tabagismo ao câncer. Nos anos 90, os níveis se estabilizaram mostrando que de 25 a 30% da população, em grande parte dos países, faz uso do tabaco 1.

Atualmente, morrem, no mundo, três milhões de fumantes por ano em conseqüência das doenças que o tabaco provoca 2. Nos EUA, ele é responsável por aproximadamente 430.000 mortes previníveis 3.

A prevalência nacional é de 33,6% da população adulta, o que corresponde a 16,7 milhões de homens fumantes e 11,2 milhões de mulheres, resultando num valor estimado de 80 a 100 mil óbitos relacionados ao fumo por ano no Brasil 4. A prevalência do hábito de fumar no sexo masculino mostra uma pequena redução, enquanto no sexo feminino, encontra-se em elevação, principalmente nos países em desenvolvimento3.

Estudos comprovam que o início do vício pelo tabaco tem começado em idade cada vez mais precoce 5 e também que há um aumento na prevalência do tabagismo entre os adolescentes 6, para os quais o fumo é a substância psicoativa mais utilizada e a segunda entre as drogas mais freqüentemente consumidas 7.

Ao se acender um cigarro, inala-se cerca de 6000 elementos nocivos, dos quais 60 são carcinogênicos, além disso, na fumaça, também estão presentes ciliotoxinas que destroem cílios protetores do nariz, garganta e brônquios, promovendo processos alérgicos, inflamatórios e infecciosos 8.

O tabagismo é a principal causa previnível de morbi-mortalidade no mundo, e é responsável pela maior freqüência de problemas respiratórios entre adolescentes e jovens (infecções do trato respiratório inferior e superior, alergias, asma, tosse crônica, redução do volume pulmonar) 9, relacionando-se também a diversas patologias como alterações da saúde bucal (halitose, doenças gengivais, e lesões da cavidade oral), câncer (boca, laringe, esôfago, pulmão, bexiga e rim), doenças cardiovasculares e respiratórias e redução da capacidade física 10. Estudos descrevem que o risco de câncer de pulmão atribuível ao fumo é de 71% e para o câncer de laringe, 86% 11.

Acredita-se que o fumo tenha peculiaridades genéticas e possa ser considerado uma doença contaminante pelos efeitos do tabagismo passivo. O vício pelo tabaco é tido, então, não só como um fator de risco, mas também um problema médico crônico, o que pressupõe períodos de remissão e recaída12 .

O médico e o enfermeiro, como líderes de opinião, têm um papel antitabagista importante pelo freqüente contato e reconhecida influência sobre os pacientes, uma vez que, faz-se necessário lembrar, o tabaco, apesar de seus malefícios amplamente conhecidos e divulgados, é um hábito aceito e legalizado pela sociedade, representando uma riqueza agroindustrial e um importante recurso econômico. Torna-se imprescindível, então, a participação dos profissionais da área da saúde no combate à doença.

Resultados revelam que os próprios fumantes afirmam achar o conselho médico importante no abandono ao tabagismo, sendo o médico o responsável pelo aconselhamento nas questões de saúde e um modelo de conduta frente à sua comunidade 10.

No Brasil, pesquisas indicam que, no período de 1979 a 1996, o tabagismo entre médicos oscilou de 20% a 40%, taxa considerada alta especialmente para profissionais da área de saúde 10.

Estudos realizados com estudantes de medicina revelam a diminuição do hábito de fumar entre as décadas de 80 e 90, mas esse processo aparece em velocidade diminuída nos últimos anos10.

Existem amplas variações nas prevalências de tabagistas em países diferentes. Há exemplos como na Grécia 13 em que 33,2% homens e 28,4% mulheres fumam, na Alemanha 14 em que existem 23,7% de estudantes fumantes, nos EUA 15 em que são 3,3% e no Brasil 5, 16 em que a prevalência atual varia de 10% a 20%, não havendo diferenças significativas entre homens e mulheres.

Em uma investigação epidemiológica realizada com estudantes de Medicina da cidade de Pelotas quanto à prevalência de tabagismo foi encontrado 10,1% de fumantes e 9,8% de ex-fumantes, sendo que 67,9% iniciaram o hábito entre 15 e 19 anos 16.

Em outro estudo, pesquisando três escolas de Enfermagem no município de São Paulo encontraram que entre 117 docentes enfermeiras, 23,1% eram fumantes 17.

Considerando-se, assim, que o início do hábito de fumar se dá, na maioria das vezes, em adolescentes e adultos jovens, abordar o perfil tabagista de estudantes universitários da área da saúde faz-se pertinente, na medida em que possamos planejar e criar ações que os auxiliem a cessar o vício, diminuindo a formação de profissionais fumantes18.

Objetivo

A presente pesquisa tem como objetivo identificar a prevalência do tabagismo em estudantes do primeiro ano dos cursos de Medicina e Enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília bem como a caracterização da postura antitabagista adotada por esses, sejam eles fumantes ou não.

Materiais e Métodos:

O presente estudo foi realizado na Faculdade de Medicina de Marilia (FAMEMA), durante o ano de 2005.

Trata-se de um estudo transversal que possui como delineamento uma abordagem descritiva e seccional.

A amostra foi constituída por foram 124 entrevistados, sendo 83 estudantes de graduação do primeiro ano de Medicina (66,9%) e 41 estudantes de graduação do primeiro ano de Enfermagem (33,1%).

Os dados foram obtidos mediante a elaboração de um questionário auto-aplicável, anônimo e composto por 28 perguntas fechadas.

Noventa e quatro questionários (75,8%) foram preenchidos na primeira semana de aula, durante a apresentação da grade horária, momento em que estavam presentes as maiorias dos estudantes. No entanto, foi necessário uma segunda tentativa um mês após o início das aulas, a fim de conseguir a maior amostra possível, na qual foram respondidos 24 questionários (19,4%), sendo ainda necessário à busca ativa de 6 estudantes (4,8%). A porcentagem de perda foi de dois questionários (1,6%), sendo que em um deles o entrevistado criou uma alternativa e em outro houve rasura.

Os dados foram analisados após cruzamento de dados através do Programa Epi info 6.0.

Todos os entrevistados tiveram informações sobre o objetivo e os métodos do estudo e concordaram em participar, assinando o termo de consentimento livre e esclarecido, segundo as regras preestabelecidas pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, a qual estabelece normas de pesquisa envolvendo seres humanos. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos da Famema.

Apresentação dos Resultados:

Para melhor visualização dos resultados, optamos em apresentá-los em tabelas como segue.

TABELA 1 – Classificação dos estudantes relacionados ao sexo, idade, curso e procedência.

SEXO

Masculino

Feminino

50

72

41,0%

59,0%

IDADE

Mínima

Média

Máxima

17

19,4

27

13,9%

63,9%

22,1%

CURSO

Medicina

Enfermagem

81

41

66,4%

33,6%

PROCEDÊNCIA

São Paulo capital

São Paulo interior

Outros estados

36

76

10

29,5%

62,3%

8,2%

TABELA 2 – Freqüência da experimentação do cigarro por sexo e curso.

DESCRIÇÃO

NUNCA EXPERIMENTOU O CIGARRO

JÁ EXPERIMENTOU O CIGARRO

Sexo Masculino

Sexo Feminino

25 (50%)

36 (50%)

25 (50%)

36 (50%) p= 0,85

Curso Medicina

Curso Enfermagem

43 (53,1%)

18 (43,9%)

38 (46,9%)

23 (56,1%)

TOTAL

61 (50%)

61 (50%)

TABELA 3 - Classificação do hábito tabagista entre os estudantes avaliados

Não fumantes

101

82,7%

Fumantes

08

6,6%

Fumante ocasional

08

6,6%

Ex-fumante

05

4,1%

TOTAL

122

100%

TABELA 4 – Classificação do hábito tabagista considerando o curso e sexo.

CURSO / SEXO

NÃO FUMANTE

FUMANTE

FUMANTE OCASIONAL

EX-FUMANTE

TOTAL

Medicina

Enfermagem

69 (85,2%)

32 (78%)

4 (4,9%)

4 (9,8%)

5 (6,2%)

3 (7,3%)

3 (3,7%)

2 (4,9%)

81 (100%)

41 (100%)

Masculino

Feminino

42 (84%)

59 (81,9%)

3 (6%)

5 (6,9%)

3 (6%)

5 (6,9%)

2 (4%)

3 (4,3%)

50 (100%)

72 (100%)

TABELA 5 – Situações em que fumante e fumantes ocasionais se consideram estimulados a fumar

SITUAÇÕES APONTADAS

%

Quando se apresenta nervoso ou ansioso

62,5%

Quando freqüenta festas

62,5%

Quando ingere bebidas alcoólicas

56,3%

Aos finais de semanas

12,5%

Quando está sozinho

12,5%

Quando inibido em ambiente social

6,3%

TABELA 6 – Relação do hábito tabagista dos estudantes com a presença de tabagismo nas pessoas do convívio social próximo

DESCRIÇÃO

AMIGOS FUMANTES

NAMORADO (A) FUMANTE

PAIS FUMANTES

IRMÃOS FUMANTES

Não fumante

77,2%

2%

23,8%

12,9%

Fumante

87,5%

25%

50%

50%

Fumante ocasional

87,5%

25%

12,5%

12,5%

Ex-fumante

100%

0,0%

40%

20%

TABELA 7 – Perfil dos fumantes e fumantes ocasionais

DESCRIÇÃO

SIM

NÃO

Tem vontade de parar de fumar

81,3%

18,8%

Pretende deixar de fumas

87,5%

12,5%

Já tentou parar de fumar

75%

25%

Acredita ser capaz de parar de fumar

81,3%

18,8%

Acredita que o tabagismo faz mal

100%

0%

TABELA 8 – Medidas consideradas eficazes no combate ao tabagismo

MEDIDAS

%

Campanhas educativas

80,3%

Aumento do preço do maço de cigarros

54,9%

Propaganda de televisão

44,3%

Frases no maço de cigarros

42,6%

Proibição das propagandas de cigarros

40,2%

Leis antitabagistas

31,1%

TABELA 9 - Postura antitabagistas dos estudantes

QUESTÕES

ALTERNATIVAS

%

Diante da fumaça do cigarro, você:

- Incomoda-se muito e se afasta.

- Incomoda-se, mas não se afasta.

- A fumaça do cigarro não lhe incomoda.

73

32

17

59,8%

26,2%

13,9%

Em relação a docentes e discentes que fumam nas dependências da faculdade, você:

- Concorda

- Não concorda, mas não é problema.

- Discorda

9

46

67

7,4%

37,7%

54,9%

Você concorda que profissionais da área da saúde são exemplos a serem seguidos, e portanto o tabagismo não é uma atitude adequada?

- Sim

- Não

94

28

77%

23%

Discussão:

A amostra da presente pesquisa foi composta por 122 entrevistados regularmente matriculados no primeiro ano dos cursos de Medicina ou Enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília no ano de 2005. Destes, 31 (66,4%) são estudantes de Medicina e 41 (33,6%) de Enfermagem, como pode ser observado na tabela 1. Ao totalizarmos os dois cursos, encontramos 41,0% pertencentes ao sexo masculino e 69,0% ao sexo feminino, sendo a maioria procedente do interior do Estado de São Paulo (62,3%). A idade média dos entrevistados foi de 19,4 anos, sendo a mínima de 17 e a máxima de 27 anos.

Metade dos entrevistados já havia experimentado cigarro (tabela 2). Destes, 46,9% pertenciam ao curso de Medicina e 56,1% ao curso de Enfermagem. Oguisso(2001) relatou que 49,2% de 314 estudantes de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) já haviam experimentado cigarro 19.

Quando questionados acerca da exposição tabágica passiva, 71 dos entrevistados (58,6%) se consideravam tabagistas passivos. Vale lembrar, que a exposição passiva equivale a 1% de vinte cigarros fumados ativamente ao dia, sendo o risco associado a doenças da ordem de 20% 20.

A tabela 3 classifica o hábito tabagista entre os estudantes da amostra. Encontramos 101 entrevistados não fumantes (82,7%), 8 fumantes (6,6%), 8 fumantes ocasionais (6,6%) e 5 ex-fumantes (4,1%). Ao analisarmos a tabela 4, observamos que no curso de Enfermagem, 9,8% dos estudantes são fumantes, sendo todas mulheres; entre os estudantes de Medicina, 4,9% são fumantes, sendo três homens e uma mulher. Faz-se notório ressaltar que houve predomínio do sexo feminino nas três categorias vinculadas ao tabagismo: fumante, fumante ocasional e ex-fumante. A porcentagem de fumantes e ex-fumantes de nossa amostra é pequena se compararmos com pesquisas semelhantes previamente publicadas. Entre 450 estudantes de Medicina de Pelotas encontrou-se, em 2004, 10,1% de fumantes e 9,8% de ex-fumantes 17. Já, entre estudantes de Medicina de Sorocaba, a freqüência de tabagistas, em 1989, foi de 17,5% 16.

A média de idade para o início do tabagismo entre fumantes e fumantes ocasionais foi de 15,75 anos e, destes, 62,5% fumavam menos de 20 cigarros por dia. O início precoce do hábito de fumar foi freqüente também em outras pesquisas: entre os estudantes de Medicina de Pelotas acima citado, o início ocorreu entre 15 e 19 anos; entre os estudantes de Enfermagem da USP, 60,5% começaram a fumar entre os 16 e 20 anos de idade 19.

A tabela 5 contempla as situações em que fumantes e fumantes ocasionais se consideram estimulados a fumar. O nervosismo ou ansiedade e freqüentar festas são as circunstâncias mais apontadas pelos entrevistados. Estudo realizado com 450 estudantes universitários da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande Do Sul (PUCRS) destacou que 22% dos fumantes relataram alguma situação de tensão como fator decisivo para o início do ato de fumar 21. O estresse também está entre os fatores comportamentais vinculados ao tabagismo, como mencionado pelo estudo NHS 4 (1999).

Ao abordarmos o tabagismo nas pessoas do convívio social próximo (tabela 6), notamos o predomínio de amigos fumantes independentemente da categoria avaliada. Esse dado parece ser um dos fatores de risco mais citados na literatura. 21

Ainda, de acordo com a literatura, temos que 21% dos fumantes relataram terem sido influenciados por amigos fumantes 21.

Em outro estudo registrou um risco de 5,2 para fumo em adolescentes com amigos fumantes 22 .

Em estudo, já citado, com estudantes de Enfermagem da USP, 47,4% dos fumantes iniciaram o tabagismo por influência dos amigos 19.

Outros dados revelam que , as primeiras tentativas de experimentar cigarros ocorrem freqüentemente com os colegas e o grupo de amigos pode prover expectativas, reforço e sugestões subseqüentes para experimentação e continuação do hábito 23.

É interessante destacar que a maior porcentagem do tabagismo na família (pais e irmãos fumantes) ocorreu entre os fumantes, embora a maioria das pesquisas 6,19,23 não aponte o tabagismo dos pais como fator de risco importante.

Dos fumantes e fumantes ocasionais, 81,3% têm vontade de parar de fumar, 87,5% pretendem deixar de fumar, 75% já tentaram parar e 81,3% acreditam serem capazes de parar de fumar (tabela 7). Tal insatisfação com o hábito pessoal de fumar faz-se presente nas pesquisas anteriormente citadas: 63,8% dos tabagistas universitários da PUCRS expressaram a vontade de abandonar o fumo18.

Dentre os tabagistas estudantes de Enfermagem da USP, 52,6% desejavam parar de fumar 19. A vontade de parar aliada à informação de que 50% dos fumantes de nossa amostra acreditam que a faculdade possa auxiliar a cessação do vício torna a campanha educativa fortemente indicada como medida antitabagista.

Além disso, conforme dados da tabela 8, as campanhas educativas e o aumento do preço do maço são as medidas no combate ao tabagismo consideradas mais eficazes pelos estudantes avaliados. Em estudo realizado com 3500 alunos de 13 a 20 anos de escolas públicas e particulares de Estado da Bahia observou-se que como medidas antitabagistas: 62,9% sugeriram incremento da proibição da venda de cigarros a menores de 18 anos; 58,6% sugeriram aumento das campanhas educativas nas escolas e 29,1% optaram pela melhoria das propagandas da mídia 24 .

A postura antitabagista em nossa pesquisa foi avaliada através de três perguntas que compõem a tabela 9.

A atitude negativa para o tabagismo foi predominante nos três questionamentos: 59,8% se incomodam muito com a fumaça do cigarro, 54,9% discordam absolutamente que docentes e discentes fumem dentro das dependências da faculdade e 77% acreditam ser inadequada a atitude tabagista entre os profissionais da saúde, pois são exemplos a serem seguidos. Inquéritos realizados no período de 1970 a 1991 constataram o índice de 20 a 50% de médicos tabagistas no Brasil 25, porcentagem considerada alta se ponderarmos a amplitude da idéia de o médico ser o responsável pelo aconselhamento nas questões de saúde e um modelo de conduta frente à comunidade.

Conclusão:

Metade dos homens e metade das mulheres de nossa amostra já haviam experimentado cigarro, sendo a maior porcentagem pertencente ao curso de Enfermagem. No entanto, o hábito de fumar em si é pouco freqüente entre os estudantes avaliados, sendo apenas 8 (6,6%) fumantes e 8 (6,6%) fumantes ocasionais. Destes, 62,5% são do sexo feminino, o que demonstra concordância com as tendências atuais do aumento do tabagismo entre as mulheres, principalmente nos países em desenvolvimento. O hábito de fumar é encarado de modo negativo pelos estudantes, uma vez apresentado uma postura antitabagista pela maioria deles: incomodam-se e se afastam da fumaça do cigarro, discordam que alunos e docentes fumem dentro das dependências da faculdade e consideram inadequado o tabagismo entre profissionais da saúde.

Dos fumantes e fumantes ocasionais, 81,3% têm vontade de parar de fumar e se consideram capazes para tanto e 80,3% dos entrevistados apontaram as campanhas educativas como a mais eficaz medida antitabagista.

Diante disto, sugerimos que as próprias faculdades implementem ações educativas de combate ao tabaco, promovendo reflexões e medidas de suporte que auxiliem a diminuir o tabagismo entre estudantes e profissionais. Para dimensionarmos melhor nossa atuação propomos que mais trabalhos sejam feitos com intuito de quantificar e caracterizar o tabagismo entre estudantes e profissionais da área da saúde.

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