DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM E INTERVENÇÕES A GESTANTES ATENDIDAS EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA
*Pedro Marco Karan Barbosa
** Renata Shimizu Locatelli da Rosa
*** Vanessa Baliego de Andrade Barbosa
**** Renata Perri Alves de Brito
***** Claudia dos Anjos Santos
O presente trabalho teve como objetivo elaborar os diagnósticos de enfermagem segundo NANDA e as intervenções a um grupo de gestantes atendidas em uma Unidade de Saúde da Família. Tratou-se de um estudo retrospectivo onde os diagnósticos foram validados utilizando os registros de prontuários de 40 gestantes, no período de 01/04 a 04/08/05 e as intervenções de enfermagem através de revisão literária. Os resultados mostraram para 13 diagnósticos: 37 náuseas e pirose, 35 disfunção sexual, 32 fadiga, 30 padrão de sono perturbado e dor crônica, 26 volume de líquido excessivo, 15 risco para amamentação ineficaz, 10 eliminação urinária prejudicada, 08 constipação, 07 manchas hipercrômicas e 05 nutrição desequilibrada maior ou menor que as necessidades corporais e risco para maternidade ou paternidade prejudicada. Ao concluirmos o trabalho verificamos que o levantamento dos diagnósticos e das intervenções de enfermagem proporcionou aos enfermeiros uma adequação na condução do processo de trabalho.
Palavras Chaves: assistência de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, intervenções.
NURSING DIAGNOSIS AND INTERVENTIONS TO PREGNANT WOMEN ASSISTD AT A FAMILY HEALTH UNITY
The present paper was aimed at making nursing diagnoses according to NANDA and also at the interventions to a group of pregnant women assisted at a family health unity. This was a retrospective study in which the diagnoses were validated by using the registers of 40 pregnant women, in the period between 04/01 end 08/04/2005 and the nursing interventions were analyzed by means of literary review. The results showed the following for 13 diagnoses: 37 nausea and pyrosis; 37 sexual dysfunctions; 32 fatigue; 30 pattern of disturbed sleep and chronic pain; 26 volume of excessive liquid; 15 risk of ineffective breastfeeding; 10 impaired urinary elimination; 08 constipation; 07 hyper-chronic sports and 05 imbalanced nutrition higher or lower than the body needs and risk of impaired motherhood or fatherhood. Concluding the paper, we verified that the survey of nursing diagnoses and interventions provided the nurses adaptation for the conclusion of the work process.
Key-words: nursing assistance, nursing diagnosis, interventions.
DIAGNÓSTICO DE ENFERMERÍA E INTERVENCIONES A GESTANTES ATENDIDAS EN UNA UNIDAD DE SALUD DE LA FAMILIA
El actual trabajo ha tenido como objetivo elaborar los diagnósticos de enfermaría, segundo NANDA y las intervenciones a uno grupo de gestante atendida en una Unidad e Salud de la Familia. Se ha tratado de un estudio retrospectivo donde los diagnósticos han sido validados utilizando los registros de prontuarios de 40 gestantes, en el período de 01/04 hasta 04/08/05 y las intervenciones de enfermería a través de revisión literaria.
Los resultados han mostrado para 13 diagnósticos: 37 mareos y pirosis, 35 disfunción sexual, 32 fatiga, 30 padrón de sueno perturbado y dolor crónica, 26 volumen líquido excesivo, 15 riesgo para amamentación ineficaz, 10 eliminación urinaria perjudicada, 08 constipación, 07 manchas hipercrómicas y 05 nutrición desequilibrada mayor o menos que las necesidades corporales y riegos para maternidad perjudicada.
Al fin del trabajo hemos verificado que el levantamiento de los diagnósticos y de la intervenciones de enfermería ha proporcionado a los enfermeros una adecuación en la conducción del proceso de trabajo.
Palabras-claves: asistencia de enfermería, diagnóstico de enfermería, intervenciones.
* Prof Dr dos Curso de enfermagem da FAMEMA, Chefe do Serviço de enfermagem do HC de Marília, Rua Jorge Bernardoni 414 – Marília SP – CEP 17519-580 –
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fone 97847108
** Profª Mestre do curso de enfermagem da FAMEMA
*** Enfermeira do Programa de Saúde da Família, mestranda na UNESP - Botucatu
**** Enfermeira assistenciais do HC Marília, professora colaboradora no curso de enfermagem da FAMEMA
***** Enfermeira assistencial
INTRODUÇÃO
A organização do Serviço da Rede Básica no Município de Marilia, compoe-se por 23 Unidades de saúde da Família (USF) em funcionamento, sendo 3 destas, localizadas na zona rural e, 12 Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Este serviço é coordenado pela Secretaria Municipal de Higiene e Saúde (SMHS) e através de uma parceria com a Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), os acadêmicos desenvolvem estágios que compreendem atividades de ensino aprendizagem nestes cenários.
Estes estágios pressupõem, um trabalho integrado com a comunidade, com os serviços de saúde e com a academia (estudantes das diversas séries dos cursos de medicina e enfermagem) e, as atividades desenvolvidas devem ser pautadas pelos princípios éticos e da metodologia científica, tendo como um dos seus objetivos, o desenvolvimento do planejamento em saúde com base nos problemas locais da comunidade e da USF, utilizando como referencial o Planejamento Estratégico apresentado por Carlos Matos como referencia (1)
Nesse sentido é que nos propusemos a realizar este trabalho, consideramos que a ausência do Diagnóstico de Enfermagem segundo NANDA(2) na atenção à saúde das gestantes, bem como de um plano de ação, representa, dentre as atividades que são privativas do Enfermeiro, uma falha no processo de trabalho relacionado à Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).
OBJETIVO
- Elaborar os diagnósticos de enfermagem segundo North American Nursing Diagnosis Association (NANDA), a grupo de gestantes em uma Unidade de Saúde da Família, bem como as intervenções de enfermagem para os diagnósticos estabelecidos.
MARCO DE REFERÊNCIA
A Unidade Saúde da Família vem se destacando como estratégia para reorganização da atenção básica , na lógica do modelo de vigilância à saúde, representando uma concepção de saúde centrada na promoção da qualidade de vida.
Uma USF não pode ser apenas um local de triagem e encaminhamento, onde a maior parte dos casos são encaminhados para os serviços especializados. Ela tem que ser resolutiva, com profissionais capazes de assistir aos problemas de saúde mais comuns e de manejar novos saberes que, por meio de processos educativos, que promovam a saúde e previnam doenças.
É recomendável que a Equipe Saúde da Família seja compostas, no mínimo, por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e entre quatro e seis agentes comunitários de saúde. Outros profissionais de saúde tais como psicólogos, dentistas, fisioterapeutas, dentre outros, poderão ser incorporados a esta equipe de acordo com as demandas e características da organização dos serviços de saúde local(3).
Dentre os profissionais que atuam neste cenário, o enfermeiro vem se destacando principalmente na qualificação do processo assistencial aplicado à comunidade sob sua responsabilidade, tendo como atribuições específicas: executar, no nível de suas competências, assistência básica e ações de vigilância epidemiológica e sanitária à criança, ao adolescente, à mulher grávida, ao adulto, ao trabalhador, ao portador de deficiência física e mental e ao idoso; organizar as rotinas de trabalho da USF, supervisionar e desenvolver ações para capacitação dos agentes comunitários de saúde (ACS) e de auxiliares de enfermagem, com vistas ao desempenho de suas funções(3).
Ainda no século XVIII, percebeu-se a importância de fazer registros sobre o paciente, e o enfermeiro destaca-se pela capacidade de observação e orientação no processo de registrar as alterações significativas para o acompanhamento do estado de saúde do cliente, família, sob sua responsabilidade, o que atualmente conhecemos como sistematização da assistência de enfermagem(4).
A SAE constitui o esquema subjacente que proporciona ordenamento e direcionamento ao trabalho do enfermeiro. Constitui a essência da prática profissional da enfermagem. É ainda o “instrumento” e a metodologia da profissão do enfermeiro e auxilia os profissionais a tomarem decisões, e a preverem e avaliarem conseqüências(5). Demonstra de modo concreto, o alcance da atividade de enfermagem. Através dos passos do também denominado processo de enfermagem, ela define o seu papel junto ao usuário e a outros profissionais da área de saúde, deixando claro que a enfermagem é mais do que apenas a implementação do plano de cuidados. Além disso, aumenta a satisfação profissional, acentua o aperfeiçoamento profissional e facilita o desenvolvimento de relações significativas enfermeira-cliente porque aumenta a capacidade do profissional de enfermagem para auxiliar o usuário de saúde a satisfazer as necessidades identificadas. Isso evita a monotonia que pode advir de uma metodologia repetitiva e voltada somente para a tarefa. E o principal beneficiado com tudo isso, é o cliente e a família, uma vez que, estimula-os a participar ativamente no cuidado, envolvendo-os em todas as fases(6).
A enfermagem organizada começou na metade do século XX, sob a liderança de Florence Nightingale. Antes de seu tempo, o cuidado dos doentes era realizado por indigentes e bêbados, pessoas incapacitadas de qualquer outra espécie de trabalho. Suas teorias de enfermagem apresentam uma estreita relação com as teorias científicas, usadas atualmente nas práticas da enfermagem. As mais significativas são as da adaptação, necessidade e estresse(5).
No século XX, HORTA(7), salienta que para a atuação eficiente de enfermagem, esta precisa desenvolver sua metodologia de trabalho fundamentada no método científico denominado processo de enfermagem, que é a dinâmica de ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando assistência ao ser humano. Para ela o enfermeiro deve assistir ao indivíduo, a família ou comunidade, em suas necessidades humanas básicas, utilizando-se de um método próprio baseado na metodologia científica.
Na década de 80 com a promulgação da Lei número 7.498/86, a SAE tornou-se sinônimo de garantia de uma prática que busca a individualização do cuidado com abrangência psicossocial, psicoespiritual e física (8,9).
Nesta década houve também avanços, ocorreram os acréscimos de novos diagnósticos, o aperfeiçoamento dos diagnósticos já existentes e a ininterrupta validação da pesquisa. A North American Nursing Diagnosis Association (NANDA)(2) concordou com um método de organização dos diagnósticos, e a Associação de Enfermeiras Americanas (ANA) adotou os diagnósticos da NANDA como o sistema oficial de diagnósticos de enfermagem(6).
Para NANDA, um diagnóstico de enfermagem é um julgamento crítico acerca das reações de um indivíduo, família ou comunidade a problemas reais ou potenciais de saúde ou a processos de vida e, constitui a base para a seleção de intervenções de enfermagem, para que se chegue aos resultados esperados pela enfermeira(2).
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de caráter retrospectivo, analítico descritivo, realizado pelos diferentes atores envolvidos no processo de supervisão da 4º série do curso de enfermagem da FAMEMA e por uma aluna da 4ª série da graduação de enfermagem. O problema a ser trabalhado foi identificado após a aplicação do Planejamento Estratégico Situacional (PES), de Carlos Matus(1) enfocando o planejamento em saúde, o qual faz parte de uma das atividades obrigatórias desenvolvidas pelos alunos do curso de graduação em enfermagem.
O período selecionado para coleta de dados foi de 01/04/2005 a 04/08/2005, onde foram analisados 40 prontuários de gestantes atendidas da USF Vila Real, unidade esta que responde pelo cadastramento de 800 famílias. Ressaltamos que os prontuários levantados foram todos os das gestantes cadastradas no programa de pré-natal da unidade de saúde.
O trabalho contou também com a participação dos agentes comunitários de saúde, auxiliares de enfermagem, residente de enfermagem desta unidade, os quais levantaram os prontuários solicitados para serem analisados.
Após foram feitas as leituras e sistematizado os dados para a elaboração dos diagnósticos de enfermagem pelos próprios autores, considerando os registros realizados por toda equipe que trabalha no atendimento desta clientela.
Vale considerar que nas consultas de enfermagem que são desenvolvidas durante o atendimento do pré-natal, as enfermeiras utilizam como instrumento norteador para coleta de dados (Anexo I) o referencial de HORTA(7),
Para a construção das intervenções de enfermagem foram consultados livros textos, identificados através de pesquisa feita por meio de consulta na base de dados LILACS e em sites voltados para a área da saúde, considerando também a experiência dos atores envolvidos na pesquisa. Os unitermos utilizados foram: diagnóstico, intervenções, e assistência de enfermagem.
Não podemos deixar de constatar que o trabalho inicialmente foi encaminhado ao Comitê de Ética em pesquisa, o qual manifestou parecer autorizando o desenvolvimento.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Para melhor visualização dos resultados optamos em apresentá-los em um quadro onde estão destacados os diagnósticos, fatores relacionados ou de risco e característicos definidoras, validados pelos enfermeiros durante análise dos dados identificados na anotação de prontuários de gestantes atendidas na unidade de saúde.
QUADRO 1 - Apresentação dos diagnósticos de enfermagem segundo NANDA com os fatores relacionados e as características definidoras validados a um grupo de gestantes atendidas um uma Unidade de Saúde da Família da Vila Real no ano de 2005
Após a apresentação do quadro 1, onde verificamos os diagnóstico bem como o fatores relacionados e as características definidoras, passamos estão apresentar as intervenções de enfermagem para cada diagnóstico estabelecido. Vale considerar que todas as intervenções descritas foram pesquisadas na literatura.
Padrão de sono perturbado
- Explicar que o desconforto respiratório pode perturbar o sono da gestante porque principalmente, no último trimestre, o útero eleva-se até o abdômen, e pressiona diretamente o diafragma causando o fôlego curto(dispnéia) (9,10).
- Orientar a dormir com diversos travesseiros sob a cabeça, respirar profundamente antes de dormir e deitar de costas com os braços estendidos acima da cabeça, pode aliviar a dispnéia porque esta última, expande a cavidade torácica ao máximo, permitindo que os pulmões atinjam sua maior expansão e a gestante respire com maior facilidade (10).
- Orientar que além do sono noturno, é necessário repousar por alguns minutos, todos os dias, com os pés elevados e sempre que possível mantê-los assim, mesmo durante a execução das tarefas domésticas (11).
Constipação
- Orientar a gestante que a constipação pode ocorrer durante a gravidez porque o aumento da progesterona provoca a diminuição dos movimentos peristálticos do trato intestinal, somado às modificações nos hábitos alimentares e a redução na atividade física, ocasionando maior demora no esvaziamento dos intestinos e permitindo maior absorção de água das fezes, ocorrendo a constipação (11,12).
- Adotar dieta rica em fibras (frutas cítricas, verduras, mamão, ameixa, farelo, sementes, pães e cereais integrais) para diminuir o desconforto(11).
- Estabelecer horário regular para a evacuação procurando promover a função fisiológica normal(12).
- Orientação a gestante quanto ao controle da ansiedade, sendo que sta altera o estado fisiológico normal intestinal(13)
- Aumentar a injesta hídrica em até 2 L por dia (8 a 10 copos), caso não haja contra-indicação, para aumentar a capacidade funcional do intestino, promover o amolecimento das fezes e facilitar sua eliminação(13,14).
- Ingerir 1 copo de água gelada toda manhã para estimular o peristaltismo(12).
- Encorajar a realização de caminhadas e elevar as pernas para reforçar o tônus muscular e estimular a circulação(12-14).
Disfunção sexual
- Orientar o casal que eles podem manter relação sexual até a gestação estar a termo a não ser que haja ameaça de aborto ou parto prematuro como sangramento, dilatação cervical, bolsa amniótica rompida ou após o início do trabalho de parto(10, 13).
- Explicar que algumas mulheres experimentam uma elevação no desejo sexual durante a gestação devido a maior congestão sanguínea na vulva(10).
- Orientar que algumas mulheres ficam desconfortáveis por causa de sua forma, mas o casal pode experimentar diferentes posições, para realizar o ato sexual(12).
- Evitar posições que o homem fique por cima(11).
- Encorajar o casal a compartilhar seus sentimentos, explorando medos e ansiedades e estimular a reservar um tempo regular para o casal(9-12,13).
Eliminação urinária prejudicada
- Explicar que o número de micções aumenta no início, porque o útero aumentado pressiona a bexiga e no final da gravidez, quando o feto desce (encaixamento) e pressiona a bexiga novamente. Além disso, a eliminação urinária aumenta para remover produtos do metabolismo tanto da mão quanto do feto (10).
- Estimular a gestante a ingerir 8 copos de água por dia, porque com a diminuição do tônus da musculatura lisa, provocada pelo aumento da progesterona, diminui o peristaltismo responsável por impulsionar a urina dos rins para a bexiga, aumentando o risco de infecção urinária na gestante (10).
- Agendar consulta médica, caso exista dor ao urinar ou hematúria, com ou sem febre (13).
- Orientar a gestante que medidas como evitar longos períodos de pé e praticar exercícios leves como caminhadas, podem controlar melhor a vontade de urinar(9).
- Orientar a gestante quanto a necessidade de obedecer as vontades de urinas, e que não fique segurando urina na bexiga para evitar infecções(13).
Fadiga
- Explicar a razão para a fadiga no primeiro e terceiro trimestres: aumento do metabolismo basal, modificações nos níveis hormonais, débito cardíaco aumentado no terceiro trimestre(12 ).
- Enfatizar a necessidade de 8 a 10 horas de sono por noite e repouso diurno para ajudar a diminuir a fadiga (9).
- Discutir a importância de exercícios físicos regular como por exemplo, caminhadas, porque melhora a digestão, a função intestinal, o sono e consequentemente, a fadiga, recomendando que seja evitado o esforço físico excessivo (11,12).
Náuseas
- Explicar que a náusea é um sintoma comum no início da gestação e que geralmente, não dura mais do que 16 semanas, podendo ser causada pelo crescente nível de hormônios no sangue, diminuição da motilidade gástrica, fadiga e fatores emocionais(10).
- Orientar a evitar o estômago vazio ou cheio demais, odores desagradáveis, alimentos com alto teor de gordura, fritos, temperados ou que provoquem gases, deve-se fazer um planejamento alimentar (10,13).
- Permanecer na cama por meia hora antes de se levantar e ingerir neste intervalo, torradas, pão seco ou biscoitos água e sal para evitar as náuseas (11).
- Encorajar a gestante a fazer refeições pequenas, freqüentes e leves (no mínimo 6 refeições diárias), comendo lentamente (15).
- Evitar a alimentos de difícil digestão (9).
- Restringir os líquidos durante as refeições porque aumenta o tempo de digestão e conseqüentemente maior risco de náuseas (13).
- Estimular a gestante a repousar após as 2 primeiras horas depois da alimentação e trocar de posição lentamente e estimula-la a permanecer em locais arejados (13).
Pirose (azia)
- Explicar que a azia é um desconforto comum durante a gestação devido ao relaxamento da musculatura lisa, incluindo a cárdia e pelo deslocamento do estômago devido ao aumento do útero (10).
- Orientar a gestante a ficar sentada durante 30 minutos depois das refeições, não deitando imediatamente, para evitar que o conteúdo gástrico atinja o esôfago e cause a azia e evitar o bicarbonato de sódio, pelo alto teor de sódio, causador de retenção hídrica (10).
- Orientar para evitar alimentos gordurosos, muito condimentados, frituras e fumo, ingestão de café, chá preto, mates, doces, álcool e fracionar a dieta (14).
- Procurar dormir com o tronco mais elevado, em relação ao resto do corpo, para evitar o refluxo do suco gástrico (11).
Nutrição desequilibrada: menor ou maior do que as necessidades corporais
- Determinar quais são as preferências alimentares da gestante, explicando quais as exigências calóricas diárias adequadas. De acordo com as necessidades nutricionais da gestante há quatro níveis básicos de alimentos. 1º nível: grupo dos cereais, arroz, pães e massas. Estes alimentos são fontes de energia, vitaminas, sais minerais e fibras. A grávida deve ingerir pelo menos 9 porções diárias, deste grupo; 2º nível: grupo das verduras, legumes (4 porções) e frutas (3 porções). São fontes de vitamina A e C, ácido fólico, ferro, magnésio e fibras; 3º nível: leite e derivados (3 porções), carnes, ovos e leguminosas (3 porções). São fontes de proteínas, cálcio, fósforo, vitaminas do complexo B, ferro e zinco; 4º nível: óleos, gorduras e doces (de consumo restrito). É o grupo que fornece mais calorias e contém menores quantidades de vitaminas e sais minerais (12,16).
- Orientar que a dieta da gestante seja distribuída em 6 refeições diárias, para reduzir a sensação de estômago cheio (12,13).
- Evitar dieta com excesso de sódio para prevenir pressão alta (10,13-15).
- Orientar o suplemento com ácido fólico porque o feto exige grande quantidade de ferro (11).
- Estimular a gestante a usar temperos para ajudar a melhorar o sabor e o aroma dos alimentos (suco de limão, salsa ,cebola ,alho) (11,13).
- Incentivar a gestante a comer com outras pessoas, em ambiente agradável, evitar odores desagradáveis e repousar antes das refeições para aumentar o apetite (11).
Manchas hipercrômicas facial
- Explicar a gestante que as manchas acastanhadas(cloasmas) que aparecem nas faces é devido ao hormônio melanócito estimulante que agem em conjunto com o estrogênio e que desaparecem depois do parto(10).
- Usar protetor solar durante à exposição ao sol para evitar que as manchas fiquem mais acentuadas(11).
Dor crônica ( dor nas costas ou lombalgias)
- Certificar-se que não são contrações uterinas (13-16).
- Orientar que a dor nas costas é comum na gestação e que ocorre porque o útero em crescimento altera o centro de gravidade da mulher e devido a esta alteração, a gestante caminha com a cabeça e os ombros jogados para trás, resultando em lordose, tencionando a musculatura lombar e causando a dor nas costas. O ganho excessivo de peso também força a musculatura das costas, além disso, as articulações e os ligamentos pélvicos estão relaxados pelo hormônio(10).
- Estimular a gestante a vestir roupas leves, usar cinta abdominal para gestantes, sapatos de salto baixo e de base mais larga(11).
- Orientar a conservar uma boa postura, evitar dobrar a cintura ao abaixar-se, flexionando sempre os joelhos, com os pés separados, aproximadamente, 25 a 45 cm, para manter o equilíbrio. Usar calor nas costas porque aumenta o fluxo sanguíneo, aliviando a dor (10).
- Orientar a dormir em colchão firme e fazer exercícios como caminhadas, para fortalecer o tônus muscular, minimizando o risco de lesões nas articulações e nos ligamentos e corrigindo as mudanças corporais que provocam dor nas costas. Deve-se intercalar os exercícios com períodos de repouso, para evitar a exaustão física adequado e dormir em colchão firme (10).
Volume de líquidos excessivo (edema de membros inferiores)
- Orientar a gestante que o edema é uma queixa comum durante o período final da gestação. Este edema é devido à dificuldade aumentada de retorno venoso das extremidades inferiores por isso não deve permanecer sentada ou de pé por longos períodos de tempo porque à medida que o útero aumenta, pressiona as veias das extremidades inferiores, aumentando a pressão venosa femoral e estas posições favorecem a estagnação sanguínea nesses locais, podendo provocar o edema de membros inferiores (10).
- Orientar a aumentar seus períodos de descanso, deitar sobre o lado esquerdo e elevar as pernas, quando estiver sentada, para facilitar o retorno venoso e evitar a sentar com as pernas cruzadas porque diminui o fluxo de sangue venoso (10,13).
Risco para amamentação ineficaz
- Avaliar os conhecimentos da gestante, detectando grau de entendimento e interesse sobre o diagnóstico e investigar os fatores que contribuíram para a dificuldade em amamentar para ajudar na orientação das intervenções(9,13).
- Explicar para gestante que os hormônios interagem durante a gestação para preparar as mamas para a lactação(10,13).
- Orientar a gestante a preparar os mamilos para a amamentação com o objetivo de tornar a pele dos mamilos mais espessa e endurecidas, para suportar a ação escoriadora e distensiva da sucção(11):
1. Girá-los entre os dedos indicador e polegar por 2 minutos de cada vez, 2 vezes ao dia.
2. Friccioná-los suavemente com uma toalha de banho macia, por 15 segundos, 1 vez ao dia ou deixar que os mamilos entre em contato com o vestuário durante algumas horas(10).
3. Expor as mamas ao sol, iniciando com períodos de 5 minutos, aumentando progressivamente o tempo para até 15 minutos por dia (pela manhã e no final da tarde)(11).
4. Higienizar as mamas somente com água, para não remover o óleo natural, secretado pelas mamas para prevenir contra o ressecamento e formação de fissuras(11).
5. Orientar as mulheres que já tiveram partos prematuros à não massagear os mamilos pela possibilidade de estímulo das contrações uterinas (10).
6. Evitar o uso de cremes nas mamas porque deixa a pele macia e flexível, aconselhar o uso de sutiã com alças largas e ajustáveis para dar apoio às mamas em desenvolvimento(11).
- Identificar junto a gestante os fatores que podem alterar a produção ou a qualidade do leite do peito, tais como transtorno emocional, ingestão de álcool, drogas e alguns alimentos porque todas as substâncias que a mão ingere passam para o leite do peito e esta deve está ciente dos potenciais efeitos prejudiciais(9).
Risco para maternidade ou paternidade prejudicada
- Estimule a gestante a expressar seus sentimentos acerca da gestação, das dificuldades financeiras e do novo papel de futura mãe. Escute-a e evite expressar julgamentos. A discussão dos sentimentos em um ambiente seguro e tranqüilo ajuda a dissipar o medo, a tensão e a ansiedade da gestante e promove uma relação de vínculo entre a gestante e a enfermeira, além de identificar as dificuldades específicas (9,13).
- Avaliar os conhecimentos e o interesse da gestante sobre a gravidez. Essas informações detectam déficits de conhecimento e constituem a base para o planejamento das atividades de ensino (9).
- Elogie os progressos da gestante, sempre que ela demonstrar habilidades apropriadas à maternidade e estimule a fazer perguntas sobre a gestação. O reforço positivo é fundamental para ajudá-la a desenvolver confiança e auto-estima e, muitas gestantes que não tiveram modelos de papéis apropriados à maternidade não fazem perguntas por vergonha ou por não saber fazer-las (9).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao concluirmos este trabalho, identificamos que os diagnósticos de enfermagem elaborados foram dos mais variados, bem como sua freqüência, a saber: 37 gestantes apresentaram os diagnósticas náuseas e pirose (92,5%), 35 disfunção sexual (87,5%), 32 fadiga (80%), 30 padrão de sono perturbado e dor crônica (75%), 26 volume de líquido excessivo (65%), 15 risco para amamentação ineficaz (37,5%), 10 eliminação urinária prejudicada (25%), 08 constipação (20%), 07 manchas hipercrômicas (17,5%) e finalmente 05 nutrição desequilibrada maior ou menor que as necessidades corporais e risco para maternidade ou paternidade prejudicada (12,5%).
Temos observado que o estudo para o caminho da aplicação da sistematização da assistência de enfermagem tem mostrado uma maior aproximação dos enfermeiros junto aos clientes, principalmente após a determinação dos diagnósticos de prevalência da clientela atendida na unidade, bem como das intervenções estabelecidas para cada diagnóstico validado, fazendo com que este profissional desempenhe a função assistencial com maior efetividade, buscando principalmente a qualificação dos cuidados e assumindo a responsabilidade na execução da assistência de maior complexidade.
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11 Carvalho, GM. Enfermagem em Obstetrícia. 1ª reimp. São Paulo(SP): E.P.U. 1990. 118 p.
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